As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 18/09/2020

Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major Quaresma desejasse pôr fim aos obstáculos que dificultam à inserção dos jovens no mercado de trabalho, lamentáveis falhas que atentam contra o direito de ir e vir. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservância do Estado somada à postura conivente dos cidadãos já familiarizados com o problema.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante vida digna de qualidade a todos os cidadãos, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a oferta de cursos profissionalizantes ainda é escassa, pois, ao não encontrarem emprego, devido à sua baixa escolaridade, entram para o mercado informal ou são obrigados a aceitar vagas aquém de sua capacidade. Nesse sentido, na teoria do Estado da sociedade de Émile Durkhein, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, nota-se que aceitar o desemprego é banalizar o mal. Segundo o Índice Integrado de Desenvolvimento Social, lançado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, dentre os jovens idade entre 18 e 24 anos, apenas 25% conseguiram uma colocação no mercado de trabalho. A precariedade na conquista do primeiro emprego pode comprometer o entendimento da realidade em que o indivíduo está inserido, dificultando a conquista da cidadania plena. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. Destarte, a naturalização desse problema pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah arendt, visto que, devido a um processo de massificação, as pessoas estão perdendo a capacidade de  discernir o certo do errado.

Doravante, o governo, em parceria com o MEC, deve financiar projetos educacionais para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Para que isso ocorra, é necessário que haja uma parceria com as prefeituras municipais, para a criação de cursos e palestras, visando à conquista pelo primeiro emprego, disponibilizando materiais gratuitos nas escolas. Outrossim, a sociedade civil, mediante instituições educacionais, necessita promover por meio de campanhas de conscientização, para pais e alunos, discussões engajadas sobre a preparação desde cedo para o trabalho. Assim, com o Estado e sociedade civil unindo forças, o sonho do Major Quaresma estará mais próximo de tornar-se realidade.