As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 29/10/2020
O filme “O Jogo da Imitação”, exibido pela Netflix, retrata a criação do primeiro computador, elaborado por Alan Turing, durante a Segunda Guerra Mundial, e ressalva a importância desse acontecimento para a evolução das sociedades. Portanto, sabe-se que a partir daquele momento o desenvolvimento contínuo de novas tecnologias afetou a maior parte das nações mundiais. Assim, no Brasil contemporâneo, o índice de jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho é um impasse recorrente para o Estado, pois é visível que esses enfrentam dificuldade para a introdução no meio profissional no que diz respeito ao alcance das necessidades do mercado, inalcançáveis pelo baixo investimento em educação tecnológica.
Em primeiro plano, cabe ressaltar as novas tendências do ambiente laboral brasileiro. Filipe Deschamps, engenheiro de software, afirma, em seu canal do YouTube, que o mundo passa pela Quarta Revolução Industrial e desse momento em diante todas as relações de trabalho serão baseadas em tecnologia. Além disso, Filipe garante que é necessário ser completamente qualificado em alguma área para poder ter vantagem no mundo corporativo. Dessa forma, pode-se observar que, com a crescente tecnológica mundial, o ramo trabalhista brasileiro tem tomado uma direção tendenciosa e é necessário que as novas gerações estejam aptas para ingressarem em tal.
Em segundo plano, ganha particular relevância a falta de investimento do Estado brasileiro em uma educação que vise as necessidades do mundo trabalhista. Na série de TV “Segunda Chamada”, produzida pela Rede Globo, é exposto a vida de jovens-adultos que cursam o ensino EJA e, em um dos episódios, a professora indaga que seria essencial se eles tivessem tido a oportunidade de cursar uma escola que proporcionasse uma experiência técnica, pois essa lhes garantiria melhores oportunidades. Todavia, apesar de se tratar de uma ficção, a série retrata com fidelidade o cenário brasileiro, pois cada vez mais, o mercado demanda de profissionais qualificados e o ensino público continua estagnado no ramo de cursos profissionalizantes. Deste modo, vê-se que a dificuldade encontrada pelos jovens em se qualificar para o mercado é a pouca oportunidade de aprendizado especializado.
Diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente do resultado da falta de possibilidades de ensino tecnológico no Brasil, busque minimizar esse quadro. Cabe ao Ministério da Educação a tarefa de ampliar consideravelmente o numero de institutos federais tecnólogos ao longo do país através de um programa de disseminação desse método de ensino. Para tal, o MEC deve disponibilizar 20% de sua verba para ampliar institutos existentes, como CEFET e IF, de modo que cada estado possa atender cerca de 20% dos jovens de nível médio. Destarte, o Brasil poderá desfrutar de uma nova geração de profissionais mais capacitados, que atendam a demanda laboral e reduzam o índice de desemprego.