As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 01/12/2020

No filme “Gente Grande 2”, o personagem “Lenny” fica feliz com o ingresso do seu filho de 18 anos ao primeiro emprego, uma vez que afirma ter tido a mesma experiência quando jovem e que essa o ajudou na construção da vida adulta e profissional. Mesmo tendo demasiada importância, na realidade brasileira a inserção no mercado de trabalho pelos jovens é rara de se conseguir e apresenta dificuldades (a taxa de desemprego entre os jovens brasileiros é superior ao dobro da média anual, segundo dados divulgados pela Organização Mundial do Trabalho). Isso se deve a um modelo de ensino básico que não prepara os estudantes para a dinâmica da vida adulta e ao chamado “paradoxo da experiência”. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas que revertam o cenário citado.

Em primeira análise, o sistema nacional de ensino básico não contribui para que os jovens consigam o primeiro emprego. Isso porque tal sistema, de acordo com o empreendedor “Flávio Augusto”, no seu  livro “Geração de Valor”, tem como única prioridade a preparação do aluno para fazer provas, de modo que áreas fundamentais como o desenvolvimento da comunicação, educação financeira e controle emocional são deixadas de lado. Com isso, diversos jovens saem do ensino médio sem base para lidarem com novos desafios, como a entrevista de emprego. Portanto, preparar alunos para as provas da vida e não somente as acadêmicas é fundamental para que consigam se inserir no mercado.

Outrossim, o paradoxo da experiência não só dificulta a inserção dos jovens em um emprego como também é reflexo desse cenário. Tal paradoxo diz respeito ao fato de a maioria das empresas desejarem contratar alguém com experiência, mas poucas estão dispostas a conceder a primeira. Segundo o IPEA, a probabilidade de os jovens sem histórico trabalhista conseguirem a primeira vaga é 64% menor que os que possuem histórico. Sendo assim, muitos dos que têm entre 18 e 24 anos não possuem a oportunidade do primeiro empego por esse mesmo problema.

Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria às Secretarias Municipais de Ensino de todo o país, implemente, nas escolas de ensino médio, programas de educação financeira e de desenvolvimento da comunicação, bem como da disponibilidade de cursos técnicos básicos optativos (uso de softwares, por exemplo). Isso, por meio da maior destinação de verbas públicas a tal setor. Ademais, cabe à Secretaria do Trabalho ampliar e incentivar o programa “Menor Aprendiz” nas empresas para que a primeira experiência de trabalho seja garantida a todos os jovens que a procuram. Todas essas medidas, a fim de facilitar a inserção desse público no mercado de trabalho, como ilustrado no filme “Gente Grande 2”.