As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 02/12/2020

No filme “Gente Grande 2”, o personagem “Lenny” comemora o ingresso do seu filho de 18 anos ao primeiro emprego, uma vez que afirma ter tido a mesma experiência e que essa o ajudou na construção da vida profissional. Mesmo tendo demasiada importância, na realidade a entrada no mercado de trabalho pelos jovens é rara de se conseguir devido, principalmente, a um modelo de ensino básico que não prepara os estudantes para a dinâmica da vida adulta e ao chamado “paradoxo da experiência”. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas que revertam o cenário citado.

Em primeira análise, o sistema nacional de ensino básico não contribui para que os jovens consigam seu primeiro emprego. Isso porque tal sistema, de acordo com o empreendedor “Flávio Augusto”, no seu livro “Geração de Valor”, tem como única prioridade a preparação do aluno para fazer provas, de modo que áreas fundamentais (como o desenvolvimento da comunicação, educação financeira e controle emocional) são deixadas de lado. Com isso, os jovens saem do ensino médio sem preparo para uma entrevista de emprego, por exemplo. Portanto, preparar os alunos para as provas da vida e não somente as acadêmicas é essencial que entrem no mercado.

Outrossim, o paradoxo da experiência não só dificulta a inserção dos jovens em um emprego, como também é reflexo desse cenário. Tal paradoxo diz respeito ao fato de a maioria das empresas desejar contratar alguém experiente, mas nenhuma delas está disposta a conceder a primeira experiência. Segundo o IPEA, a probabilidade de os jovens sem histórico trabalhista conseguirem a primeira vaga é 64% menor que os que possuem histórico. Sendo assim, muitos dos que têm entre 18 e 24 anos não têm a oportunidade do primeiro emprego por esse mesmo problema.

Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria às Secretarias Municipais de Ensino de todo o país, implemente, no ensino médio, programas de educação financeira e de desenvolvimento da comunicação, bem como da disponibilidade de cursos técnicos básicos. Isso, por meio da maior destinação de verbas públicas às escolas de ensino médio. Ademais, cabe à Secretaria do Trabalho ampliar e incentivar o programa “Menor Aprendiz” nas empresas para que a primeira experiência de  emprego seja garantida a todos os jovens que a procuram. Todas essas medidas, a fim de facilitar a inserção desse público no mercado de trabalho, como ilustrado no filme “Gente Grande 2”.