As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 26/03/2021
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hierarquia jurídica nacional - e estabeleceu, em seu artigo 6º, o trabalho como direito social de todos. Todavia, as dificuldades enfrentadas pelos jovens para ingresso no mercado de trabalho brasileiro demonstram que a premissa de Guimarães está distante da realidade contemporânea. Com efeito, a superação dessa questão passa pela invisibilidade social e pelo egocentrismo.
Em primeiro plano, persiste na nação verde-amarela um entrave histórico e cruel que prejudica a entrada dos jovens no mercado profissional: a invisibilidade social. Nesse espectro, a filósofa Simone de Beuvoir disserta que esse fenômeno acomete substancial parcela dos rapazes e moças marginalizados. Ora, a exclusão e indiferença denunciadas por Beauvoir configura-se como grave obstáculo para esse público seja incorporado pelas organizações, uma vez que a falta de experiência desses representa o maior empecilho para resolução de tal problemática, segundo pesquisa divulgada pela empresa argentina “Trendsty”. Logo, enquanto a situação dos jovens continuar sendo tratada com indiferença à falta de oportunidades laborais, esses permanecerão sendo as maiores vítimas do desemprego.
Em segundo plano, o egocentrismo afeta a dignidade humana. Nesse sentido, o filósofo Adam Smith - considerado o pai do liberalismo econômico - defende que a benevolência é fruto da fraqueza humana. Contudo, é inconcebível aceitar passivamente a tese de Smith para justificar a omissão estatal no contexto de desemprego enfrentado pelos jovens, sobretudo, porque há extrema necessidade de se formular políticas públicas que viabilizem o exercício das prerrogativas esculpidas no texto constitucional para todos os cidadãos. Dessa maneira, oferecer condições para que essa parcela da população goze, de forma plena, do direito ao trabalho e, consequentemente, ingresse no mercado de profissional é essencial para se evitar injustiças sociais e fomentar o desenvolvimento nacional. Portanto, para garantir a premissa de Guimarães, o Presidente da República deve propor ao Poder Legislativo, Câmara e Senado Federal, a criação do programa “Meu Primeiro Emprego”, por meio aprovação de medida provisória editada pelo poder executivo, a fim de combater a invisibilidade social que assombra os jovens no país. Assim, o governo estará reduzindo o principal empecilho dessa problemática. Por sua vez, cabe ao Ministério da Educação, ente encarregado pela educação pública, desconstruir o egocentrismo, por meio de campanha de conscientização social, veiculada na TV e no rádio, com a finalidade de sensibilizar os gestores organizacionais e a sociedade para minimizar as barreiras para efetiva empregabilidade da população juvenil. Destarte, o Brasil poderá ser - de fato - considerado Estado Democrático de Direito, e nação justa e solidária.