As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 14/12/2020
Amartya Sen, nas páginas de “Desenvolvimento como Liberdade”, aponta a relação inequívoca entre liberdade e oportunidades econômicas. Contemporaneamente, o limitado acesso dos jovens brasileiros ao mercado de trabalho afronta a proposição do economista indiano, cenário agravado pelo crescente desemprego. Com efeito, combater as dificuldades do ingresso dessa faixa etária na vida laboral faz-se imprescindível para o avanço nacional, a partir da reestruturação operacional do Estado e do aprimoramento do modelo de educação.
Em primeiro plano, reformular institucionalmente os órgãos públicos perfaz-se como caminho necessário para a maior inserção dos jovens no mercado de trabalho. Esse fato decorre da relevância estatal na ampliação de políticas que auxiliem esses cidadãos na busca por experiência e qualificação, como a disponibilização de estágios e cursos, fator dificultado pela secundarização dessa pauta devido ao fisiologismo das agendas governamentais. Nesse sentido, a negligência com os potenciais trabalhadores correlaciona-se à obra “Bases do Autoritarismo Brasileiro”, a qual afirma que a razão de ser do Estado vincula-se à satisfação dos interesses das elites e não das demandas populares, como a resolução da temática. Dessa forma, a reconstrução moral e técnica do Poder Público mostra-se essencial para um novo horizonte empregatício para a juventude.
Ademais, a eficaz integração juvenil nas atividades econômicas passa pela otimização educacional no país. Isso porque o sistema de ensino vigente, ao focar em conteúdos teóricos, não prepara os estudantes de modo efetivo para o mercado de trabalho, o que permite a formação de indivíduos pouco qualificados, haja vista a oferta insuficiente de graduações técnicas nessas instituições. Nessa perspectiva, a ineficácia escolar contraria acentuadamente o conceito “Escola Asa”, proposto pelo educador Rubem Alves, segundo o qual o aprendizado deve promover o pleno desenvolvimento social, o que inclui o sucesso profissional. Desse modo, a maior preparação dos discentes para a vida economicamente ativa faz-se medida crucial para que a educação honre seu papel transformador.
A remodelação governamental e educacional, portanto, ergue-se como método indispensável para a total inserção dos jovens no mercado de trabalho. À vista disso, o Poder Executivo Federal, sob forma do Ministério da Educação, deve ampliar políticas públicas de qualificação profissional juvenil e vagas em estágios, sobretudo nas escolas da rede pública nas periferias, com a distribuição de premiações aos sujeitos de alto desempenho nos estudos, a fim de garantir o futuro trabalhista dessa parcela da população. Destarte, a liberdade refletida por Amartya Sen se tornará uma realidade empírica para toda a juventude brasileira.