As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 22/12/2020

Latente prática. Alto grau de qualificação. Disponibilidade em tempo integral. Conforme o jovem contemporâneo almeja adentrar ao mercado de trabalho, tais exigências permeiam seus principais entraves e receios. Consequentemente, o aprimoramento do conhecimento escolar no primeiro contato laboral é dificultado, tendo como resultado menores cada vez mais desmotivados academicamente e sem vislumbres empregatícios. Nesse sentido, seja pela escassa oferta de vagas a inexperientes ou pelo despreparo das redes de ensino em capacitar os jovens para o ramo profissional, o número de adolescentes contratados mostra-se incipiente e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar a divergência de oportunidades entre os iniciantes e os recém-desempregados. Segundo o filósofo Aristóteles, o conceito de justiça consiste em “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”. Dessa forma, à medida que um indivíduo nunca trabalhou, sua necessidade de aplicar a teoria absorvida em anos de ensino é alarmada. Entretanto, a deslegitimidade laboral verifica-se na preferência de empresas pela contratação de civis experientes ou com estabilidades - por exemplo, não possuir filhos e ser solteiro. Prova disso são os dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, que revelam o dobro de dificuldade de admissões para cidadãos sem qualquer experiência. Desse modo, a ingerência governamental na promoção de contratações é mister.

Ademais, os próprios sistemas instrucionais contribuem para a baixa aceitabilidade dos jovens no mercado de trabalho. Ao passo que há pouca disponibilidade de estágio e matérias imperiosas são negligênciadas - principalmente nas redes públicas - os adolescentes formam-se nos níveis básicos despreparados, mesmo após anos de aprendizagem. De acordo com o geógrafo Milton Santos, teórico da Revolução Técnico-Científica Informacional, atender ao mercado empregatício é essencial para as futuras gerações. Entretanto, raríssimas instituições contemporâneas oferecem ensino de idiomas ou parcerias de contratações, por exemplo. Logo, garantir o mínimo de recursos é crucial aos formandos.

Portanto, ações são indispensáveis para diminuir os impecilhos dos jovens no ingresso ao mercado de trabalho. Sob essa ótica, a criação de concursos federais e estaduais voltados para a contratação de menores de 24 anos, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é essencial a fim de garantir ocupações para os inexperientes. Para isso, vagas de recém-aposentados e vagas tecnológicas poderiam ser ofertadas. Outrossim, o maior contingente de estágios para estudantes das redes públicas de ensino, por intermédio do fortalecimento do programa “Jovem Aprendiz” do Governo Federal, é fundamental no intuito de capacitar melhor os estudantes. Nesse viés, a análise de notas serviria como seleção dos estudantes. Apenas assim as oportunidades laborais serão mais justas.