As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 22/02/2021
No filme “À Procura da Felicidade”, Chris Gardner, em meio a uma pressão financeira, encontra-se sem recursos suficientes para manter a família. Nesse sentido, a produção cinematográfica revela a jornada incansável e dificultosa do protagonista para ser escolhido, entre os vintes candidatos, a ocupar uma posição como estagiário, sem renumeração ou ajuda, em uma grande empresa. Fora das telas, é evidente que a realidade apresentada na trama pode ser relacionada na busca do ingresso no mercado de trabalho por jovens: os empregadores, a fim de manter a produtividade, exigem currículos com experiências anteriores, descartando a possibilidade de contratação e capacitação dos iniciantes no âmbito corporativo e, também, cabe discutir a ausência da formação profissional do aluno na grade curricular do Ensino Médio.
Em primeiro lugar, é fundamental destacar que, em razão da constante diminuição do PIB (Produto Interno Bruto), corporações elegem indivíduos com amplo conhecimento empresarial para exercerem as atividades, dificultando a abertura de oportunidades aos recém-formados no Ensino Médio. De acordo com a “Lei Aprendiz”, empresas de médio ou grande porte devem contratar jovens como aprendizes, ou seja, é dever dos líderes empresariais contribuírem com a formação profissional. Assim, evidenciando que há espaço para todos, porém, as ofertas são disputadas injustamente e os requisitos exigidos são excessivamente rigorosos.
Consequentementee, nota-se que os alunos da rede pública de ensino não possuem a preparação para o mercado de trabalho. As escolas técnicas (ETEC), por exemplo, na cidade de São Paulo, todos os semestres oferecem a qualificação profissional gratuita, no entanto, sendo improvável a instituição atender uma demanda alta de interessados, uma vez que ofertam apenas quarenta vagas por curso e turno. Paralelamente, o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire exemplifica esse viés: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Dessa forma, comprova-se a negação ao que a Constituição Federal impõe no que diz respeito a facilitação do ingresso de jovens desempregados no mercado.
À vista disso, é preciso que medidas sejam assumidas para amenizar os impactos no cenário contemporâneo. Para que o ingresso de jovens no mercado de trabalho torne-se acessível, urge que o governo e o Ministério do Trabalho realizem a implementação, por meio de verbas governamentais, de mais programas direcionados a educação profissional para auxiliar no desenvolvimento das competências obrigatórias exigidas nas admissões das organizações. Somente assim, a semelhança à trama hollywoodiana, “À Procura da Felicidade”, será cessada.