As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 07/03/2021
No livro " Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, é descrita uma sociedade organizada, em que cada cidadão possui um emprego. No entanto, a situação retratada não é aplicável ao contexto atual da inserção no mercado de trabalho, em especial dos jovens, tendo em vista que, segundo o IBGE, a taxa de desemprego de jovens é mais que o dobro da taxa da população geral. Nesse sentindo, notam-se desafios para a problemática em questão, como a desvalorização da qualificação profissional e a negligência na preparação para o mercado de trabalho.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a mão-de-obra mais qualificada é desvalorizada, pois muitas empresas não atendem suas exigências, em virtude do alto custo da sua contratação, dessa forma, oferecem para cargos acima, cargo inferiores e com ganhos menores . Por conseguinte, por considerarem um rebaixamento de qualificação, muitos profissionais recusam tais cargos e mantêm-se fora do mercado de trabalho muito tempo. Ademais, tal fator também aumenta a “Fuga de cérebros”, termo criado pela Royal Society, que significa a emigração de profissionais jovens e de alto conhecimento, para centros mais desenvolvidos que valorizam suas habilidades. Com isso, o ramo de trabalho tende a ser mais preenchido por pessoas mais velhas e menos qualificadas.
De modo equivalente, apesar da Lei de Aprendizagem, criada em 2000, muitas empresas se recusam a investir na formação de jovens para inserção no mercado de trabalho. De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho do MS, apenas 31% da cota de aprendizagem é preenchida, pois o investimento em futuros profissionais é considerado, pela maioria das regiões, um gasto, o que faz com que empresas descumpram a lei e desconsiderem o que foi defendido pelo papa Bento XVI de que " os jovens são o futuro da humanidade e esperança da nação. Assim, enquanto a economia não visar um avanço futuro, jovens continuarão sem experiência e consequentemente sem emprego.
Em suma, é imprescindível que todos os segmentos sociais se unam para uma melhor inserção do jovem no ramo trabalhista. O Ministério do Trabalho, portanto, deve emitir, por meio de maiores investimentos governamentais, multas para empresas que oferecerem cargos muito inferiores aos que os atuais profissionais exigem, a fim de não desmotivar as pessoas de mão-de-obra qualificada e evitar suas emigrações. Por outro lado, a partir de uma instituição fiscalizadora obrigatória em todas as empresas, deve garantir o preenchimento de todas as vagas de jovens aprendizes, para assim assegurar que a taxa de desemprego deles diminua. Sendo assim, as dificuldades dos jovens para conseguirem uma ocupação profissional diminuirão, pois estarão motivados e preparados.