As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 04/04/2021

No século XVI, com a ascensão da Reforma Protestante, surge o calvinismo, um movimento religioso que valorizava o trabalho, de modo a vê-lo como acúmulo de riquezas e indo de acordo com as premissas da burguesia vigente. Não obstante, na contemporaneidade, esse fator é fundamental para a sociedade, visto que insere os indivíduos na obtenção de aspectos essenciais, como uma saúde qualificada. Contudo, nota-se diversas dificuldades na inserção de recém-formados e universitários no mercado de trabalho, como uma educação equivocada e a exacerbada exigência de capacitação.

A princípio, é essencial pontuar a priorização da teoria em detrimento do pragmatismo no meio acadêmico. Nesse viés, conforme o famigerado pedagogo Paulo Freire, “Educação muda as pessoas, pessoas transformam o mundo”. Entretanto, é válido ressaltar que o pressuposto do autor não é praticado na formação universitária dos brasileiros, dado que comumente as universidades privilegiam o excessivamente conteúdo a ser ensinado e não a formação objetiva, em que há uma preparação para situações cotidianas e práticas. Assim, acaba por gerar a criação de indivíduos alienados, os quais acabam por ser marginalizados social e financeiramente.

Outrossim, com a globalização econômica, houve um aumento da exigência de capacitação, a qual dificulta a obtenção de empregos para universitários. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é caracterizada pela insegurança e constante mudança do cenário social. De fato, constata-se a efetivação do argumento de Bauman, pois as empresas exigem cada vez mais a especialização profissional para exercício de um cargo, uma vez que procuram substituir a mão de obra fixa para diminuir os custos empresariais. Por conseguinte, a continuidade desse aspecto acarreta o aumento do desemprego no país, acentuando a crise econômica.

Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para alocar os recém-formados no mercado de trabalho de forma efetiva. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação orientar a reformulação da matriz curricular dos cursos, adequando o ensino para a perspectiva econômica das empresas, por meio de simulações, com intuito de dar melhores condições de empregabilidade e efetivar o papel social transformador exposto por Freire. Além disso, é dever do Governo Federal, através de políticas públicas de especialização e parcerias público-privadas, facilitar contratos de estágios outros após a graduação e ações de serviços ainda no curso, a fim de dar mais capacidade e experiência aos formados.