As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 13/04/2021
Na contemporaneidade, fala-se bastante sobre o desemprego, todos são afetados por ele, mas para os jovens que passam da vida escolar para o mercado de trabalho, conseguir um emprego pode ser um desafio ainda mais difícil. Esses que acabam de entrar no mundo do trabalho são os últimos a serem empregados e os primeiros a perderem o emprego.
Em Novembro do ano passado, a quantidade de pessoas sem emprego já alcançavam 14 milhões. Desse total, 32% são jovens de 18 a 24 anos. O que dificulta a ingressão desses no ramo de trabalho é a falta de experiência e o alto custo dos encargos sociais. Em tempos de crise, aquele que contrata não vê vantagem em contratar pessoas novas e sem experiência, pois, pagando o mesmo salário ele pode contratar um profissional experiente.
A pesquisadora do grupo de conjuntura do Ipea, Maria Andréia Lameiras, afirma que históricamente o jovem tem mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho. “A taxa até caiu, mas porque o jovem parou de procurar emprego, não porque houve aumento na empregabilidade” diz Maria. A explicação para isso é a percepção dos mais novos de que não adianta procurar por vaga.
A pesquisa feita pela plataforma de recrutamento digital Relevo mostra que na “geração Y” a porcentagem de recusas de emprego por conta do salário é 30 vezes menor em relação às outras gerações. Em 2019, 44,2% dos trabalhadores com ensino superior completo na faixa dos 24 aos 35 anos tinham empregos que menosprezavam seu nível de qualificação. Luciano Maia, administrador da UCB (Universidade Católica de Brasília) explica que o contratante faz uma super seleção, fazendo com que muitas pessoas com uma grande qualificação aceitem empregos com baixas remunerações.
Para mudar esse cenário no Brasil, pode-se buscar inspiração no exterior. Na Dinamarca, por exemplo, o sistema público de Emprego é notificado sobre jovens desempregados, e os encaminha para um programa de qualificação. O país já tem algumas políticas públicas para diminuir o desemprego juvenil, porém essas precisam ser repensadas e melhoradas, para que se tenha novas pessoas qualificadas para competir nos negócios de trabalho.