As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 18/04/2021

A obra “Utopia”, de Thomas Morus, retrata uma sociedade ideal ausente de quaisquer formas de problemáticas sociais. Muito distante, o cenário brasileiro hodierno é antagônico ao de Morus, pois o ingresso dos jovens no mercado de trabalho ainda apresenta empecilhos latentes. Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas as quais mitiguem os fatores potencializadores desse problema: a habituação da exigência de experiência no trabalho e a arcaicidade dos modelos educacionais.

É de crucial importância analisar a exigência das empresas. Desse modo, a filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, disserta acerca das naturalizações de diversas problemáticas sociais e suas consequentes naturalizações. Nesse sentido, o contexto brasileiro da naturalização da experiência exigida pelos empresários relaciona-se com a ideia de Hannah. Essa realidade é grave justamente porque ocasiona a banalização da prioridade das escolhas por trabalhadores mais velhos, o que torna esse entrave como algo habitual e faz com que a sociedade torne-se inercial frente à promoção de meios para os jovens entrarem no mercado de trabalho. Assim, enquanto a exgiência de experiência sem a oportunidade de tê-la for a regra, a atenução do problema será a exceção.

Outrossim, convém ressaltar o teórico papel das escolas de formas valores para a inclusão dos indivíduos na sociedade. Dessa forma, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, entendia que os modelos de ensino das escolas atuais são arcaicos, o que tornam os jovens despreparados para o mercado de trabalho hodierno. Corroborando essa visão, a realidade escolar contemporânea, a qual predomina métodos voltados apenas à concretização do processo acadêmico, secundariza métodos cruciais para a atualidade, como o ensino das novas tecnologias, visto que os trabalhos tecnológicos estão em expansão. Nesse ínterim, se a metodologia retrógrada persistir, os jovens continuarão impossibilitados de entrarem nos âmbitos laborais.

Por conseguinte, urge a necessidade de reduzir os empecilhos desse problema. Para isso, o Ministério da Educação deve promover projetos socioeducacionais, por intermédio da adição na grade curricular das escolas do ensino acerca do mercado atual e das ações a serem tomadas para obter êxito nesse. Essa ação seria intermediada por profissionais especializados nas áreas a serem abordadas, tendo o fito de proporcionar uma experiência aos jovens e mitigar o despreparo deles. Com isso, a conjuntura social poderia se aproximar da de Morus.