As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 26/04/2021
Na Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao trabalho como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, dificultando, deste modo, a universalização desse direito civil tão importante. Diante essa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favoreçem esse quadro.
Primordialmente, é evidente que a atual recessão econômica sofrida no Brasil ocasiona impactos significativos na disponibilidade de vagas no mercado destinadas à jovens — os quais, geralmente, representam uma parcela de estudantes recém-formados sem experiência no seu campo de atuação. Nessa perspectiva, analisando o cenário economicamente desfavorável vigente, é comum que empresas e instituições favoreçam um maior conhecimento empírico na hora de selecionar os seus subordinados, optando pela contratação mais segura de profissionais experientes, já que, dessa forma, é possível minimizar o risco de erros, prejuízos e improdutividade de um novo profissional que talvez nunca tenha tido contato com a dinâmica do mercado de trabalho. Sob essa ótica, segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego entre brasileiros de até 24 anos é 15,4% maior que outras faixas etárias.
Outrossim, convém infatizar a perpetuação da utilização do modelo tradicional de ensino no Brasil como fator que valida essa problemática. Sob essa ótica, analisando a obra “Pedagogia da Autonomia”, em que o filósofo Paulo Freire apresenta novas propostas de práticas pedagógicas que visam construir a autonomia e o dinamismo dos educandos, é fato que as universidades brasileiras não acompanham o ritmo de transformações do mercado de trabalho, sendo ainda engessadas em uma estrutura teórica retrógrada que não observa a realidade laboral e não impulsiona os seus alunos na inserção de novos empregos e experiências, os quais acabam se tornando profissionais obsoletos por falta de capacitação. Dessa forma, segundo uma pesquisa da Nube (Núcleo Brasileiro de Estágio), a cada dez profissionais formados em 2019 e 2020, cinco estão desempregados, fato que comprova que, na atual conjuntura, apenas o ensino superior completo não é mais garantia de empregabilidade.
Fica claro, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar o quadro. Para isso, o poder Legislativo precisa formular uma “política nacional de emprego” voltada à essa faixa etária, através de um projeto de lei em que instituições públicas e privadas serão obrigadas a ter um número mínimo de trabalhadores recém-formados atuantes. Além disso, é vital que o Ministério da Educação reformule a base do ensino superior, ensinando também a prática desde o ínicio da universidade.