As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 17/05/2021
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 14% da população brasileira estava desempregada em dezembro de 2020, da qual a maioria são jovens. Tal situação se deve, indubitavelmente, pelas dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, as quais estão cada vez mais evidentes na sociedade. Entre as principais causas dessas dificuldades estão: a ineficácia de incentivos governamentais e a maior complexidade na divisão do trabalho atualmente.
A princípio, é imperioso resaltar a responsabilidade do Estado no que tange a essa problemática. Com efeito, de acordo com a Constituição Cidadã de 1988, é dever do governo oferecer a plena oportunidade de acesso a um trabalho digno a todos os cidadãos. No entanto, a ineficácia estatal em relação é notada, pois, ainda que existam programas de inserção do jovem no mercado de trabalho, tal como o Jovem Aprendiz, as taxas de desemprego permanecem de modo preocupante. Assim, é clara a importância do melhor investimento nos jovens brasileiros, visto que são amparados por lei nos seus direitos e têm a responsabilidade de desenvolver experiências para melhor lidar com a vida adulta.
Outrossim, é mister salientar as mudanças histórico-sociais que promoveram uma maior complexidade na divisão do trabalho. Nesse contexto, Émille Durkheim atribui à sociedade o conceito de Sociedade Orgânica, na qual as funções dos indivíduos se tornaram cada vez mais especializadas. Em contraste, no início do século XX , predominara o modelo fordista de produção, o qual permitia a vários indivíduos a realização de um mesmo tipo de função. Desse modo, nota-se que tal mudança exigiu dos indivíduos um maior esforço para conseguir um cargo, tendo em vista que é necessário maiores especializações, principalmente aos jovens, os quais são submetidos a uma intensa competitividade, principalmente no setor tecnológico, o qual mais se destaca hodiernamente.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigar o quadro atual. Isto posto, urge que o Estado promova melhorias em seus programas de inserção da juventude no mercado, por meio de parcerias público-privadas com empresas aptas a cooperar com a temática em questão. Tal parceria deve ser feita, essencialmente, pela concessão de incentivos fiscais às empresas, visando garantir maior adesão ao projeto. Dessa forma, as barreiras impostas ao público-alvo serão diminuídas, com o fito da garantia de seus direitos como cidadãos.