As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 19/05/2021
Segundo a Constituição de 1988, todo cidadão brasileiro, em Idade Economicamente Ativa, tem por direito a ocupação laboral. No entanto, sob o viés das sociedades capitalistas hodiernas, tal preceito legislativo não se concretiza devido a carência de oportunidades de ingresso no mercado de trabalho, principalmente, no que tange ao público jovem. Em paralelo a isso, as consequências se refletem na formação de adultos imaturos.
Diante desse cenário, é crucial pontuar a organização social da ordem econômica moderna e seu impacto na baixa oferta de postos de trabalho. Nesse sentido, a terceira fase histórica da economia, denominada de Capitalismo Financeiro, atua no ramo industrial, de forma a substituir o trabalho humano intensivo de baixa qualificação pela maquinofatura especializada. Isto é, nesse sistema, a técnica de manuseio das máquinas, a capacidade de comunicação com clientes e a responsabilidade pessoal e com o convívio grupal exigem mais dos funcionários do que apenas ensino universitário, o qual, por vezes, é a única experiência de jovens. Desse modo, é fato que esse público inexperiente em qualidades práticas - visibilidade técnica, liderança, receptividade e paciência - é privado do ingresso no mercado de trabalho, uma vez que empresas optam por profissionais já aptos ao sistema vigente.
Ademais, como consequência dessa falta de oportunidades ao público iniciante no ramo trabalhista, a maturidade digna dos indíviduos é comprometida. De acordo com a teoria da “Tábula Rasa”, de Jonh Locke, o caráter do ser humano é formado pelas suas vivências e experiências sociais. Isto posto, quando jovens são restritos do mercado de trabalho, as virtudes práticas de negócios e interpessoais são excluídas da tábula cognitiva desses indíviduos, de modo a corromper o desenvolvimento de adultos empáticos, responsáveis, resilientes e que valorizam o esforço na obtenção de bens mercadológicos. Em paralelo a isso, é indubitável que, aliada ao desemprego, a criminalidade, voltada para furtos, golpes e extorssões monetárias, emerge como solução para a falta de rentabilidade financeira proveniente do trabalho digno.
Urge, pois que medidas sejam tomadas para ampliar a oferta de vagas de emprego e prevenir as consequências do desemprego. Portanto, cabe ao Ministério, em parceria com empresas privadas de ensino profissinalizante, criar um projeto que forme jovens prontos para o ramo profissional. Assim, por meio da inclusão, em escolas, de palestras e de cursos que instruam os alunos acerca dos comportamentos e qualidades práticas ideias em empregos, tornar-se-á viável que a legislação se materialize, com um aumento na oferta de postos de trabalho e com a formação de adultos prudentes e responsáveis com a própria vida financeira e com o viver em sociedades capitalistas.