As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 07/06/2021
Segundo o artigo 6º da Constituição federal, documento com maior importância nacional, todo cidadão brasileiro tem direito à saúde, à educação e ao trabalho. Entretanto, é evidente que a Magna Carta não é efetiva em sua completude, uma vez que os jovens têm seus direitos constitucionais deturpados ao defrontarem-se com graves dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Com efeito, para compreender esse quadro problemático, é necessário analisar o papel das instituições de ensino tanto em relação à formação emocional, quanto à formação profissional da juventude.
A princípio, cabe destacar que o sistema de ensino nacional, infelizmente, negligencia o ensino de competências emocionais. Nesse sentido, no livro “Inteligência Emocional”, o autor Daniel Goleman - proeminente jornalista científico - disserta sobre a relevância que o desenvolvimento das “soft skills”, habilidades comportamentais e emotivas, exerce sobre a vida dos estudantes, que possuem vantagens no mercado de trabalho por deterem domínio de tais habilidades. Com isso, o escritor evidencia que, por conta do papel negligente do sistema educacional, os jovens brasileiros não são munidos de competências emocionais e, preocupantemente, lidam com graves obstáculos para encontrar emprego devido à sua suscetibilidade de reagir emocionalmente em detrimento da razão.
Acerca disso, é notório que a falta de controle emocional aliada a uma limitada educação profissionalizante agrava ainda mais esse problema. Diante desse cenário, de acordo com Marilena Chaui, importante filósofa brasileira, o ser humano age conforme a cultura do ambiente ao qual está inserido. Dessa maneira, consoante a ideia da filósofa, as instituições educacionais brasileiras promovem uma cultura de conhecimento intermediário - ensino médio e, no máximo, superior -, a qual não é mais aceita pelo mercado globalizado que opta por profissionais altamente especializados - a exemplo de mestres e doutores. Sendo assim, o jovem é desestimulado - pela cultura nacional - a avançar na sua especialização e, por conseguinte, é lesado para ingressar no mercado de trabalho.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. Sob essa óptica, é imperioso que o MEC, Ministério da Educação, implemente o ensino das competências emocionais nas escolas, por meio de aulas com professores especializados, para que os estudantes brasileiros sejam providos da inteligência emocional citada por Daniel Goleman e se destaquem no mercado de trabalho. Além disso, é primordial que igual agente, por intermédio de palestras nas instituições educacionais, estabeleça uma cultura de especialização profissional, divulgando as vantagens de ser uma pessoa desenvolvida na sua área, para que os jovens possuam sua formação completa. Somente assim o artigo 6º e a Carta Magna serão concretizados de maneira integral.