As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 10/06/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – garante o direito à educação. Infelizmente, quando se observa a dificuldade dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, verifica-se que o ideal da legislação é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela carência de posicionamento político, seja pela falta de experiência dos jovens.
Nessa conjuntura, evidencia-se, por parte do Estado, ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para pôr fim no cenário dificultoso dos jovens conseguirem o primeiro emprego. Essa lógica é comparada pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país, já que foi instituído para ser um órgão que promova acesso totalitário à educação, porém falha ao não oferecer curso técnico articulado ao ensino médio, a fim de possibilitar formação profissional. Dessa forma, tal perspectiva contrasta com a ideia aristotélica de que a política deve ser utilizada para estabelecer o equilíbrio na sociedade.
Outrossim, destaca-se a exigência por experiência profissional como impulsionador do problema. De acordo com o empirismo de Locke, o ser humano é uma tábua rasa e o conhecimento é formado pela prática. Fora da teoria, percebe-se que os jovens, ao procurarem o primeiro emprego, encontram uma perspectiva exigente por experiência, mas por ser a entrada no mercado de trabalho não possuem o exigido. Tal fato é ratificado por uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada que, 64% dos jovens iniciantes perdem a oportunidade de emprego para quem já possui vivência a posteriori. Assim, torna-se um ciclo infinito – o mercado exige prática, no entanto, não oferece oportunidades.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar a mazela social. Paralelamente, o Ministério da Educação, em parceria com o Poder Legislativo, deve propor a criação de um projeto de lei, por meio de uma carta entregue à Câmara dos Deputados. Tal medida oferecerá reforma no padrão do ensino médio e implementar ensino técnico articulado à escola a partir dos 14 anos de idade. Espera-se, com essa ação, preparar o jovem para o ingresso no mercado de trabalho e assegurar os direitos propostos pela Carta Magna de 1988.