As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 09/06/2021
O Brasil tem uma taxa muito maior que a média global de desemprego entre os jovens, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho. No entanto, a falta de experiência da juventude no mercado não é o principal fator para o desemprego nessa faixa etária, o problema transpassa a ineficiência do sistema tributário nacional e a falta de aptidão emocional dos mais novos para o mundo real.
Durante muitos anos, as leis brasileiras beneficiavam os empregadores, entretanto, hoje em dia, os dois lados da relação saem em desvantagem. Com a necessidade de mão de obra, o empresariado dá preferência para quem tem mais experiência naquela função e não tem incentivo para contratar o jovem, o que tentou ser resolvido com programas como o “Jovem Aprendiz”, do Governo Federal. Apesar disso, o maior problema encontra-se na forma como os impostos são distribuídos, quando o empresário é obrigado a repassá-los diretamente e aquele capital não circula na economia, o que traria mais empregos.
Ademais, os contratantes precisam se preocupar no preenchimento da vaga ofertada, dado que a maioria dos jovens não possuem uma formação social ativa, o que traz para o ambiente de trabalho a falta de controle emocional. Assim como critica o filósofo polonês Bauman, em sua tese da “Modernidade Líquida”, os cidadãos deveriam aprender a se conectar com outros durante o período escolar, contudo, a sociedade está vivendo um momento de distanciamento e superficialidade de relações, o que faz as pessoas dependentes do mundo virtual e as insere numa ilusão, como simulado no filme “Jogador N°1”, do diretor Steven Spielberg, fazendo com que o trabalho perca eficiência, o que o dono do capital não quer.
Diante do exposto, o problema de ingresso dos jovens no mercado de trabalho vai muito além da falta de experiência no ofício e o sistema precisa ser remodelado. Para tal, é primordial que o Congresso Nacional aprove uma reforma tributária, por meio de várias sessões de votação e consultas públicas, a fim de que os impostos sejam redistribuídos pela economia. Desse modo, o capital vai circular e o Estado não deixará sua receitar decair, podendo manter os serviços ofertados e a população poderá sentir o desenvolvimento proporcionado pela difusão do dinheiro.