As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 16/06/2021
No livro “A República”, do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalham em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, a dificuldade enfrentada pelos jovens para ingressar no mercado de trabalho, afasta o Brasil dessa sociedade utópica, uma vez que há não só a negligência estatal como também, o individualismo financeiro do empregador. Dessa forma, é essencial analisar os aspectos que envolvem essa questão no país para que se busquem formas de resolver essa problemática.
Diante de tal cenário, é imprescindível ressaltar, incialmente, que a Constituição de 1988, em seu artigo 6º, garante aos nativos direitos sociais, como trabalho. No entanto, o que se nota, pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange os investimentos em políticas públicas que viabilizem o acesso ao ensino técnico profissionalizante. Isso ocorre porque, no Brasil há uma baixa valorização da mão de obra jovem, devido ao preconceito social de que esses indivíduos detém uma baixa experiência, quando na verdade só não possuem oportunidades. Assim, fica evidente a necessidade de medidas para a efetivação desse direito constitucional.
Além disso, é mister salientar que o individualismo empresarial é responsável por comprometer a inserção desses jovens no mercado de trabalho. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, o descaso se agravou com crescimento de ideias capitalistas associadas à soberania dos interesses financeiros de empresários que, nesses casos, entendem como gasto desnecessário a oferta de empregos aos menores aprendizes e pessoas recém formadas. Não é de se estranhar, portanto, que esse tipo de comportamento empresarial deixa os operários suscetíveis à doenças e desastres. Esse contexto demonstra, então, um quadro social caótico o qual precisa ser combatido.
Diante do exposto, medidas são cruciais para mudar esse atual quadro. Sendo assim, o governo deve investir em programas sociais de ensino técnico, ampliando sua atuação em ambientes escolares, por meio verbas recuperadas em operações contra a corrupção, como a “Postal Off”, a fim de garantir a profissionalização dessa parcela da sociedade. Ademais, a mídia deve criar campanhas, mediante propagandas a serem vinculadas em diversos espaços, como rádio, com a intenção de conscientizar a nação verde-amarela a respeito da importância da integração desses petizes, exibindo a necessidade de valorização do trabalho jovem na economia. Assim, o Brasil se aproximará do ideal Platônico.