As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 01/07/2021
De acordo com a universidade de Nova Iorque( NYU), aproximadamente, 90% dos seus estudantes, ainda nos 6 primeiros meses de aula, conseguem uma oportunidade de emprego ou estágio para treinar e desenvolver as habilidades aprendidas no âmbito acadêmico. No entanto, distantes dessa realidade, situam-se os jovens brasileiros. Estes, marcados pela falta de experiência profissional e bombardeados pela taxa de desemprego, enfrentam inúmeras dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho. Dessa forma, para entender a problemática, é necessário ampliar o diálogo.
Antes de tudo, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Brasil possui, atualmente, cerca de 60% de jovens que, principalmente pela inexperiência profissional, não se inserem no mercado de trabalho. Esse cenário, explica a pesquisadora educacional Silvia Colello, é fruto da incapacidade de a escola conversar, adequadamente, com as demandas do aluno hodierno. Nesse contexto, programas de acesso ao ensino superior, como o Sistema de Seleção Unificada , apesar de importantes- por promoverem a democratização da educação- por vezes, ignoram a preparação prática dos estudantes e não os oferecem, desse modo, recursos para desenvolverem os ensinamentos aprendidos em sala de aula e ocuparem, conseguintemente, as vagas de emprego ofertadas.
Ademais, para o filósofo Zygmunt Bauman, a dinâmica trabalhista é, via de regra, instável; não oferecendo, portanto, seguridade, sobretudo, aos mais novos. Sob essa percepção, os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que revelam que o principal grupo afetado pelo desemprego estrutural é o dos jovens, além de evidenciar a desigualdade de oportunidades no país, alertam para a inobservância do papel constitucional do Estado- assegurado pelo artigo 6 da Carta Magna- o de fomentar o emprego entre todos os cidadãos.
Diante do exposto, para alcançar o ideário propagado pela Nyu e inserir os jovens na esfera do trabalho, urge, primeiramente, que, o Ministério da Educação reconheça o seu papel de formador de profissionais e, em parceria com as principais empresas nacionais, amplie as oportunidades de estágios para todo corpo estudantil, desde o ciclo básico. Assim, unindo-se o conhecimento à prática, espera-se superar a chaga social do desemprego entre os jovens.