As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 08/07/2021

De acordo com a Universidade de Nova Iorque(NYU), aproximadamente 90% dos seus estudantes, ainda no primeiro semestre letivo, ingressam no mercado de trabalho. Assim, por meio da prática, eles desenvolvem as habilidades aprendidas no âmbito acadêmico. Distantes dessa realidade, no entanto, situam-se os jovens brasileiros. Esses, inseridos em um contexto de extrema competitividade e, ao mesmo tempo, desigualdade, esbarram em inúmeras dificuldades para conseguirem , por exemplo, o primeiro emprego. Entre essas, destacam-se a inexperiência profissional e o desemprego estrutural que atingem, sobretudo, os mais novos.

Antes de tudo, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Brasil possui cerca de 60% de jovens que, principalmente, pela falta de experiência não ingressam na esfera do trabalho. Esse cenário, explica a pesquisadora educacional Silvia Colello, resulta da incapacidade de a escola dialogar, adequadamente, com as demandas do aluno e prepará-lo para futuros desafios em sociedade. Sob essa análise, programas de acesso ao ensino, como o Sistema de Seleção Unificada(SISU), apesar de importantes - por democratizarem a educação- falham ao desconsiderarem as instituições educacionais como espaços de prática e aprimoramento das competências indispensáveis ao mundo trabalhista. Como efeito, a maior parte dos jovens- dotados, por vezes, somente do conhecimento teórico- não atende às expectativas do empregador e é lançada, infelizmente, à marginalidade.

Ademais, para o filósofo Zygmunt Bauman, a dinâmica trabalhista na atualidade é marcada pela instabilidade, ou seja, a seguridade do emprego- pensada na segunda Revolução Industrial- aos poucos, desaparece. Sob essa percepção, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além de mostrarem que o principal grupo afetado pelo desemprego estrutural é o dos jovens, alertam para a inobservância do papel do Estado- defendido pela Constituição Federal de 1988- o de fomentar o trabalho entre todos os cidadãos. Dessa maneira, na ausência de políticas públicas abrangentes e inclusivas, os jovens experienciam, rotineiramente, a chaga social do desemprego.

Portanto, urge, primeiramente, que o Ministério da Educação, entidade responsável pelas diretrizes educacionais , reconheça, celeremente, o seu papel social de formador de profissionais. Desse modo, com o auxílio de empresas nacionais que se relacionem às áreas do conhecimento ensinadas na universidade, crie e fomente um programa de oferta de empregos e estágios voltado, especificamente, para o corpo estudantil, desde o ciclo básico. Assim, por meio da aplicação de conhecimentos necessários ao universo laboral, espera-se alcançar o ideário proposto pela NYU.