As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 11/07/2021

A construção do papel social do jovem passou por relevantes modificações ao longo da história e a juventude ganhou participação ativa na sociedade. Segundo Max Weber, o trabalho dignifica o homem por isso, a transição para a maturidade inclui a necessidade de conseguir um emprego formal. Entretanto, esse processo tende a ser frustrante para jovens, pois muitos não possuem experiência profissional . Desse modo, é necessário analisar como o anacronismo do mercado e a falta de incentivo do poder público não contribuem para ampliação do acesso à dignidade humana por intermédio do direito a trabalho e renda.

A juventude brasileira adquiriu um status político e social considerável, ainda que esteja em processo de consolidação. Todavia, mesmo com apoio legislativo, no âmbito trabalhista as oportunidades de empregos são exíguas para o público sem experiência e que necessita horários mais flexíveis para prosseguir com a formação escolar. Além do mais, embora o empregador possua autonomia sobre as contratações percebe-se uma preferência por candidatos sem tantas particularidades no contrato. Nesse sentido, fica claro que embora a CLT indique a idade mínima e a carga horária ideal para vínculos empregatícios entre os jovens e os empregadores não consegue ser autorealizável, pois carece da iniciativa de personagens ou de instituições e é insuficiente para contemplar todo o universo que abrange a vida dos cidadãos mais jovens.

Outrossim, muitas vezes em processos seletivos o currículo é mais decisivo do que as habilidades adquiridas pelo candidato ao longo da sua vida mesmo que sejam compatíveis com o cargo pretendido. A forte tendência do mercado em compensar a mão de obra não qualificada com experiências profissionais, torna a busca pelo primeiro emprego ainda mais desanimadora. Por isso, existe um esvaziamento da assistência pública que não atende a juventude e isto culmina na permanência da exploração do trabalho infantil, ao aumento do trabalho informal e, mais grave, à cooptação por organizações de crime organizado, todas essas situações vividas à margem da dignidade humana.      Sendo assim, cabe ao MEC alterar a grade escolar brasileira, de modo a instituir cursos profissionalizantes como item obrigatório no ensino médio. Através de uma associação com o setor privado, deve executar palestras e visitas de campo em polos trabalhistas a fim de garantir que o jovem sinta-se inconcusso para o começo da sua jornada empregatícia. Ademais, é fundamental que os processos seletivos aproximem-se da realidade brasileira e suas constantes mudanças por meio de avaliações mais justas que contemplem o jovem como um ser multidimensional capaz de aquirir habilidades ao longo da vida.