As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 17/07/2021
No livro “21 lições para o século 21”, o historiador israelense Yuval Noah Harari explicita as novas competências exigidas pelo mercado de trabalho no atual contexto neoliberal. Assim, passa a ser cada vez maior a demanda por indivíduos com alta qualificação ténica e com conhecimentos tecnológicos, existindo uma desvalorização das pessoas com habilidade de nível médio e com pouca experiência. Dessa forma, no Brasil do século XXI, há uma enorme dificuldade dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, sendo, mormente, provocada pelo insuficiente investimento estatal na educação básica, que por sua vez, gera uma enorme desigualdade no processo de formação educacional.
Primordialmente, cabe salientar que a escassa destinação de verba à promoção de um ensino público de qualidade está entre as causas da problemática. Dessarte, o artigo 3° da Constituição Federal assegura a promoção do bem de todos os brasileiros, sem distinção de qualquer tipo. Não obstante, percebe-se que tal garantia não é efetivada na prática, haja vista o reduzido investimento governamental nas instituições públicas de ensino, o que gera um abismo entre a formação acadêmica daqueles indivíduos que conseguem arcar com os custos de um ensino privado e a formação daquelas pessoas que dependem do sistema público de ensino.
Por conseguinte, a disparidade existente no processo de formação escolar de grande parcela dos brasileiros é um empecilho à inserção dos jovens no mercado de trabalho. Desse modo, Miton Santos, em seu livro “Por uma outra globalização”, evidencia a face perversa da globalização, escancarando a forma na qual a desigualdade faz com que apenas uma restrita parcela tenha acesso a uma formação acadêmica de qualidade, enquanto o resto da população seja subjugado à exclusão educacional e profissional. Sob esse prisma, pode-se inferir que a inequidade socioeconômica interfere na formação educacional dos indivíduos, que por sua vez, dificulta o processo de ingresso no mercado de trabalho pelos jovens, pois há um contraste entre a alta qualificação técnica exigida e o ensino público oferecido pelo Estado - que é capaz de atingir todos os brasileiros.
Depreende-se, portanto, a importância de desenvolver formas de mitigar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Urge, portanto, que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, destine verba para as instituições de ensino do país, sobretudo para as escolas e universidades públicas. Tal investimento deve ser necessário para promover cursos intensivos relacionados às novas exigências profisisonais da atual conjuntura, como o desenvolvimento de habilidades tecnológicas por parte dos jovens, e deve possuir o fito de minorar as dificuldades dessas pessoas de ingressarem no mercado de trabalho.