As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 23/07/2021
Edvard Munch, pintor expressionista, na obra “O grito”, retratou a angústia, o medo e a desesperança no semblante de um personagem rodeado por uma atmosfera de profunda desolação. Para além do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de jovens ao tentarem ingressarem no mercado de trabalho brasileiro é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Logo, fica evidente que há dificuldades para conseguir um trabalho formal, principalmente se será a primeira ocupação profissional do indivíduo. Assim, é essencial atenuar as adversidades para criar um mercado profissional com jovens, que terão oportunidades de se desenvolverem e serem altamente qualificados.
Sob essa perspectiva, é expressivo o aumento no interesse de jovens para iniciar a jornada profissional, no entanto, devido a um acréscimo de indivíduos no mercado de trabalho, este se tornou muito competitivo. Dessa maneira, as empresas para contratar começaram exigir experiências nas áreas que irão atuar e se aperfeiçoar. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), cerca de 70% dos desempregados no quarto trimestre de 2020, eram pessoas na faixa-etária entre 14 e 24 anos de idade. Em consequência, muitos optam por empregos informais, que não são protegidos por leis trabalhistas e não geram impostos para o governo.
Ademais, é notório que não existe um preparo emocional em adolescentes, em especial para trabalhar com pessoas, sobre pressão e lidar com críticas. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, trabalhos em equipe, respeito e empatia. Como resultado, significativa parte dos jovens possuem problemas com autoestima, sofrem de depressão e ansiedade, por não saberem lidar com frustrações diárias, atrapalhando seu empenho profissional.
Indispensável, portanto, a criação de ações interventivas com propósito de facilitar e melhorar o ingresso dos jovens brasileiros no mercado de trabalho. Portanto, é mister que o Estado estimule empresas contratar jovens inexperientes, através de incentivos e isenções fiscais. Com a finalidade, deste adquirir conhecimento prático e contar com oportunidades profissionais. Assim, o governo estará aquecendo o mercado, com potenciais profissionais seriamente competentes para prosperar o Brasil. Outrossim, deve-se acrescentar na grade curricular das escolas, disciplinas que desenvolvam o socioemocional dos adolescentes, a fim de prepara-los para exercer seus trabalhos com maestria. Desse modo, a sociedade se tornará um meio inclusivo para jovens que desejam iniciar suas carreiras profissionais, sem angústia, mas sim, esperança e desenvoltura.