As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 04/08/2021

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu crítica aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, hodiernamente, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão das dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Dessa maneira, é fundamental analisar a problemática que tem a insuficiência educacional e a lógica capitalista como principais causas.

Em primeiro lugar, cabe abordar a baixa qualificação proporcionada aos jovens. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Nesse viés, se há um problema social, isso decorre de uma lacuna educacional. No que que se refere à dificuldade econtrada pelos jovens no ingresso no meio laboral, nota-se uma forte influência dessa causa, uma vez que, de acordo com uma pesquisa divulgda pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- o número de trabalhadores informais tem passado a frente dos  indivíduos com empregos de carteira assinada em quase 5 milhões, mostrando assim que a quantidade de candidatos despreparados é maior quando comparada aos qualificados. Logo, é nítido que as escolas deveriam providenciar melhores condições de estudo.

Outrossim, pode-se observar que a priorização dos interesses financeiros é um entrave nesse cenário. Para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica capitalista. Nesse mesmo pensamento, é um grande desafio para o jovem conseguir adentrar ao mercado de trabalho, visto que a prioridade de uma empresa é produzir mais para proporcionalmente obter um lucro maior, e  contratar um jovem sem nenhuma experiência, por exemplo, atrasaria todo o funcionamento e rentabilidade econômica desta, pois até que ele ganhe alguma prática no exercício de sua função demandaria tempo. Dessa forma, urge inverter o padrão capitalista presente no mundo laboral e dar aos jovens oportunidades de ingresso.

Em síntese, é fulcral que medidas sejam implementadas com intuito de mitigar os impactos causados pelo problema. Para isso, o Estado, em parceria com o MEC(Ministério da Educação), deve, por meio da destinação de verbas, implementar, em todas as ecolas públicas, o ensino médio vinculado a um curso técnico, com as manhãs destinadas às matérias comum a todos os alunos e a parte da tarde dedicada à educação qualificada, sendo opcional ao aluno cursar ou não a especialização proporcionada pelo Governo, para que assim os jovens tornem-se totalmente qualificados e satisfaçam as exigências da empresa. Deve, ainda, por meio de projetos de leis, obrigar que 10% do quadro de funcionários de qualquer empresa seja reservado a jovens sem experiência curricular, para que estes tenham facilidade em adquirir sua tão sonhada vaga de emprego. Sendo assim, o Brasil de Assis não será mais egoísta.