As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 01/08/2021

No filme norte-americano “Divergente”, a escolha das fações é o momento em que os jovens escolhem suas funções definitivas para que, desse modo, tenham seu lugar na sociedade. Analogamente, na contemporaneidade brasileira, os jovens, principalmente aqueles entre 16 e 18 anos, são pressionados na decisão sobre as direções profissionais que seguirão, fato que, somado ao saturamento do mercado de trabalho no Brasil e à falta de preparo e incentivos governamentais dados a esse grupo no período escolar, compromete o ingresso desses no ambiente profissional.

Cabe ressaltar, primeiramente, que a pressão exercida sobre a escolha predoce de profissão – sobretudo pelos pais e pelas escolas – contribui negativamente para o ingresso de jovens no mercado. Tal fato ocorre porque a decisão sobre o curso superior muitas vezes é tomada sem que haja, necessariamente, uma análise das possibilidades – por meio de pesquisas, palestras e contato com profissionais do ramo –, o que gera, posteriormente, insatisfação e frustração com a faculdade. Dessa forma, nota-se que muitos estudantes sentem a necessidade de recomeçar outra formação, até mesmo em áreas bem diferentes, e postergam sua entrada nas atividades trabalhistas, haja vista que é comum que se espere o diploma para, então, dar início às funções no trabalho.

Concomitantemente, a falta de oportunidades de emprego, sobretudo para jovens sem experiência, potencializa as dificuldades encontradas por esses no ramo trabalhista. Isso ocorre porque, embora o artigo 6º da Constituição Federal assegure, como direito social, o trabalho, evidencia-se, no Brasil, que grande parcela da população não consegue emprego. Ademais, as exigências do mercado, como qualificação profissional – por meio de cursos de conhecimentos tecnológicos e de inglês, por exemplo – a falta de acesso prévio, por jovens, a noções básicas, como controle financeiro, conhecimentos sobre programas de computador e, até mesmo, o desconhecimento sobre a produção de um currículo efetivo corroboram os obstáculos enfrentados.

Portanto, evidencia-se a imprescindibilidade de providências que facilitem o ingresso de jovens no mercado de trabalho no Brasil. Por conseguinte, urge que o Ministério da Educação incentive o preparo dos jovens para o início de suas carreiras profissionais por meio da implementação, na grade curricular do Ensino Médio, da obrigatoriedade de mini cursos técnicos, especialmente sobre critérios básicos para o ingresso no mercado de trabalho, a fim de garantir uma base consolidada de noções que os preparem para seus primeiros empregos. Além disso, é necessário que as escolas promovam projetos que elucidem os alunos acerca dos cursos de nível superior, por intermédio de palestras com profissionais e pesquisas de campo, para que assim, escolham conscientemente suas ocupações.