As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 02/08/2021

O Brasil vivencia uma profunda crise econômica nos últimos anos que se agudizou com o advento da pandemia da COVID-19. Uma conseqüência direta dessa crise é o desemprego que atinge substancialmente a população mais jovem, em especial os que nunca tiveram experiência. A desigualdade social brasileira se apresenta contundentemente nesse contexto, pois esses que nunca tiveram emprego também são os que têm menor escolaridade, segundo a mais recente Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio (PNAD).

Por um lado, a crise que era econômica e hoje é também de ordem social, política e sanitária, impulsiona os jovens cada vez mais cedo para o mercado de trabalho. A alta da inflação associada a este cenário está reduzindo o poder de compra das famílias brasileiras e os jovens têm sido impelidos a buscar novas fontes de renda para compor o orçamento doméstico. Nesse sentido, a evasão escolar tem aumentado, segundo a PNAD, o que potencializa o desemprego nessa faixa etária, visto que, sem qualificação as possibilidades de inserção no mercado de trabalho são ainda mais reduzidas. Segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Ou seja, o enfrentamento do desafio do desemprego de jovens perpassa por amplo investimento em educação.

Por outro lado, além da redução de postos de trabalho devido à grave crise econômica, as vagas também estão sendo encerradas com a inserção cada vez maior da tecnologia nos processos de trabalho em substituição ao capital humano. Além disso, as vagas que surgem são ocupadas por profissionais altamente qualificados, confirmando que a desigualdade social no Brasil potencializa essa problemática e por ela é potencializada, pois exclui aqueles que não tiveram acesso à educação. Como expressado pelo filósofo brasileiro Eduardo Marinho, “não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia.”

Portanto, torna-se urgente que o Poder Público assegure educação pública de qualidade para os jovens brasileiros. Sendo assim, é necessária a implementação de políticas sociais que garantam não apenas acesso universal às escolas e universidades públicas, mas também as condições materiais para que os jovens consigam ter uma formação que o permita ter autonomia para decidir e construir o seu futuro com maior segurança através do trabalho não precarizado.