As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 12/08/2021

A reduzida taxa de contratação de jovens cerceia o pensamento de que este país é antagônico devido a suas raízes formadoras, como refletiu o psicanalista Roberto Gambini na obra “Outros Quinhentos”. Esta mesma assertiva é análoga a Macunaíma – personagem de Mário de Andrade –, ao representar a metáfora de um brasileiro sem natureza definida. Nesse viés e com base no presente, questões estruturais da sociedade, como a falta de capacitação profissional e a demanda incoerente por experiência, ainda são tratadas sem visibilidade. É nesse cenário, então, que se delineia a discussão sobre o ingresso do jovem no mercado de trabalho no Brasil.

Certamente, a falta de capacitação profissional e a alta evasão escolar ilustram o pensamento de Roberto Gambini, pois a falta de identidade educacional torna-se latente diante do índice de jovens desempregados no cenário brasileiro. Nessa perspectiva, irrefutavelmente, esses jovens encontram dificuldades de colocação na profissão, migrando para o trabalho informal. Não obstante, o IBGE 2020 mostra que 41% da força de trabalho do Brasil é informal. Assim, a principal consequência é o desamparo estatal ao jovem brasileiro, mostrando que as oportunidades trabalhistas não existem em função do próprio povo. Nesse contexto, concede-se razão a Gambini, visto que o Brasil permanece ainda colonizado no início da história daqueles quinhentos anos.

No que concerne às relações sociais, o impacto é maior na demanda empresarial por experiência acima da capacidade do jovem. Por esse ângulo, o sistema contratual é a fórmula do desastre. O paradoxo da experiência está no mercado que constantemente exige muita experiência, mas nunca oferece a oportunidade de se obtê-la. Dessa forma, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho se acentua ainda mais. Deve-se garantir, então, que não sejam necessários “outros quinhentos anos” para que o brasileiro tenha amparo empresarial e estatal para sua recolocação no mercado de trabalho, diminuindo os altos índices de desemprego mostrados pelas pesquisas.

Portanto, é preciso uma intervenção objetivando a inserção do jovem no mercado de trabalho. É imprescindível a criação de uma plataforma de fácil acesso ao jovem, financiada pelo Ministério do Trabalho, com o intuito de ampliar as propostas de emprego ao jovem e ao menor aprendiz. Essas ações devem ser tomadas visando o fornecimento de capacitação online e de cursos técnicos. Além disso, essa plataforma deve impulsionar uma campanha nas redes sociais populares, de modo a favorecer a divulgação de informações sobre os benefícios de se fornecer empregos aos jovens. Desse modo, o Brasil se distanciará da personalidade de “herói sem caráter” de Macunaíma, quebrando paradigmas e alcançando a isonomia social.