As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 13/08/2021
A teoria da seleção natural, postulada por Charles Darwin, afirma que somente os seres mais adaptáveis sobrevivem ao meio. Seguindo esse raciocínio, observa-se, na conjuntura hodierna, um cenário de diversas dificuldades para o ingresso dos jovens no mercado de trabalho, que beneficia apenas os mais qualificados. Nessa perspectiva, evidencia-se a presença de um delicado problema, visto que muitos jovens não possuem tal qualificação e preparo para trabalharem, sobretudo pela falta de investimentos estatais.
Diante desse quadro, salienta-se o despreparo da nova geração para a inserção no mercado trabalhista como um dos entraves presentes nessa problemática. Em meio a isso, é pertinente trazer o pensamento da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas importantes para as inquietudes hodiernas. Desse modo, é evidente a falta de um ensino que prepare os jovens que buscam ingressar no mundo trabalhista, tal como a sua qualificação na área que pretende atuar. Portanto, faz-se necessário uma maior intervenção educacional no que tange à falta de preparo desses futuros profissionais, mudando esse quadro de dificuldades.
Em paralelo, vale ressaltar que a ausência de ações governamentais é outro desafio em meio ao problema. Sob essa ótica, confere-se uma situação semelhante à retratada na obra “Ensaio sobre a lucidez”, do escritor José Saramago, na qual retrata uma história fictícia sobre uma crise política, fazendo uma alegoria sobre a fragilidade do sistema político e das instituições governamentais. Para além da ficção, seguindo o que é abordado pelo autor, é evidente a ineficácia do Estado mediante aos investimentos precários para incentivar a parcela jovem que busca iniciar sua jornada no trabalho. Assim, urge que os órgãos estatais sejam um dos principais agentes nesse processo de entrada no mercado trabalhista.
Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse entrave. Sendo assim, cabe às instituições educacionais, principal promotora do preparamento dos jovens, invistir em campanhas educativas sobre o mercado de trabalho. Para isso, com o apoio de investimentos governamentais, as universidades devem promover oficinas semestrais sobre o mercado de trabalho, explicando como ele funciona e como se inserir nele, guiando os jovens a adentrar nesse mundo desconhecido. Dessa maneira, a população jovem será qualificada e devidamente preparada para o mundo trabalhista, tornando-se seres adaptáveis ao meio, como afirma a teoria da seleção natural de Darwin.