As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 05/08/2021

Segundo a Constituição Federal Brasileira (CF), de 1988, é dever do Estado garantir o Bem Estar Social e o desenvolvimento nacional. Entretanto, apesar de previsto constitucionalmente, muitos brasileiros não gozam desse direito em sua integralidade, uma vez que as dificuldades de ingresso no mercado de trabalho é uma realidade que assola a vida de milhares de jovens, colocando-os à margem da sociedade e reforçando a permanência da desigualdade social. Nesse sentido, a negligência estatal acerca da educação, somada a desregulamentação das Leis Trabalhistas, são fatores que reforçam essa problemática.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a desvalorização da educação, por parte do Estado, limita as oportunidades de bons empregos aos jovens. Uma prova disso pode ser vista com a PEC do Teto de Gastos, aprovada em 2016, que restringe, absurdamente, o investimento na educação de ensino superior. Com isso, muitos jovens de baixa renda, que antes tinham a promessa de um plano de carreira profissional, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), são impedidos de se qualificarem, devido a redução do número de bolsas de estudos nas universidades. Dessa maneira, é inadmissível que alguns indivíduos sejam privados da oportunidade de ascensão social por meio dos estudos devido à negligência estatal.

Além disso, a desregulamentação das Leis Trabalhistas promove a precarização do trabalho e o aumento da desigualdade social. Consoante ao sociólogo Karl Marx, a superexploração do proletário advém, sobretudo, da fragilização das leis trabalhistas. Logo, a criação da Carteira Verde e Amarela, criada pela atual gestão Bolsonaro, que prevê a diminuição de encargos e a ausência de contratos empregatícios sólidos, é um projeto que impede o jovem trabalhador de ascender profissionalmente, uma vez que o coloca em condições de trabalho informal ou de subempregos. Desse modo, é inaceitável assistir de braços cruzados a desregulamentação, pelo próprio Estado, dos direitos trabalhistas conquistados por anos de luta da classe trabalhadora.

Diante do exposto, é preciso que a realidade atual seja repensada. Cabe, portanto, ao Governo Federal se responsabilizar pela valorização da educação no Brasil. Isso pode ser feito por meio do maior investimento no ensino superior, a fim de garantir a oportunidade de estudo e a capacitação dos jovens para o mercado de trabalho. Tal medida será consolidada pelo aumento das ofertas de bolsas de estudo nas universidades por meio do ProUni. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça o compromisso de proteção e garantia dos direitos trabalhistas. Desta maneira, espera-se garantir o Bem Estar Social a todos os cidadãos e o desenvolvimento nacional, conforme assegura a CF.