As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 27/08/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação e ao emprego como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de investimentos na qualificação dos jovens, visto que, cada vez mais é exigido uma alta capacitação educacional a fim de que esses indivíduos gerem um aumento da produtividade e, consequentemente, mais lucratividade para as empresas. Logo, pela perspectiva empresarial, um público semiqualificado torna-se indispensáveis para o ramo. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a precarização do trabalho, uma vez que, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 41,1% dos trabalhadores encontram-se em uma situação de informalidade. Decerto é possível notar que, como consequência da falta de investimento em qualificação, os jovens buscam uma forma de conseguir renda para sobrevivência por intermédio de um serviço informal, já que, diferentemente do emprego formal, não é necessária uma capacitação para tal exercício. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação junto as instituições de ensino públicas e privadas, por intermédio de campanhas/palestras, com a participação de profissionais da área de recursos humanos, busquem orientar os jovens acerca de como capacitar-se para ingressar no mercado de trabalho, a fim de assegurar que o aperfeiçoamento do ensino seja garantido e que esses indivíduos possam obter um futuro de qualidade. Assim, se consolidará uma sociedade mais democrata, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.