As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 06/09/2021

Na mitologia grega, o mito de Sísifo narra a odisséia de sofrimento de um homem condenado a carregar um rochedo enorme por toda a sua vida. Essa narrativa ficcional funciona como uma metáfora à dificuldade dos jovens brasileiros de ingressarem no mercado de trabalho, uma vez que a defasagem da formação profissional e as exigências do ramo trabalhista ampliam ainda mais a perpetuação desse impasse. Assim, analisar a problemática é transceder o exercício cidadão em prol de melhorias.

Diante desse cenário, é relevante destacar que a educação ofertada às gerações jovens pauta-se um um modelo arcaico , distante da realidade social. A respeito disso, o teórico Rubem Alves afirma que as escolas brasileiras são como gaiolas, as quais pouco desenvolvem nos estudantes habilidades que não sejam apenas as pedagógicas. Nesse sentido, a formação de novos trabalhadores fica limitada aos conhecimentos básicos, sem a inserção de disciplinas que favoreçam o desenvolvimento de competênciais técnicas e socioemocionais, como liderança e gestão administrativa,  ligadas ao exercício profissional. Diante disso, essa parcela, em virtude da falta de um ensino profissionalizante , permanece segregada da esfera trabalhista.

É preciso salientar, simultaneamente, que essa falha educacional impede o ingresso em um setor que, paulatinamente, carece de profissionais especializados. Isso, porque a Revolução 4.0 - marca do século atual - regula o mercado , de modo a exigir colaboradores que dominam os insumos tecnológicos. Apesar da geração atual ter nascido no seio dessa revolução tecnológica, a negligência da instrução mercadólogica impede que esses jovens façam parte da estrutura produtiva. Nessa lógica, ao passo que não há a especialização do trabalhador , as empresas priorizam servidores qualificados com um currículo adequado às exigências mercadológicas atuais.

É indispensável, portanto, a adoção de estratégias educativas e legais, com vistas à adequação dos jovens à dinâmica produtiva. Para tanto, a Câmara dos Deputados deve criar um programa nacional de ensino profissionalizante , por meio de uma proposta de lei que responsabilize a União e os estados no financiamento e execução desse projeto essencial ao desenvolvimento do país. Essa ação deve ser apoiada pelo Ministério da Educação, a partir da inserção da disciplina de “Educação Profissional” na Base Nacional Comum Curricular , com o objetivo de instruir a parcela estudantil para a qualificação técnica. Se assim for feito, a juventude brasileira ter-se-à superado a condição de Sísifo.