As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 01/09/2021
“O trabalho dignifica o homem”, observou Benjamin Franklin ao indagar-se sobre os direitos fundamentais à vida. Em contraste a esse pensamento, ao analisar a atual conjuntura da economia brasileira, percebe-se que o mercado de trabalho impõe sérios desafios aos jovens: a precarização do trabalho e o processo de desindustrialização.
De acordo com Karl Marx, ao estudar o modo de operação das relações entre países avançados e emergentes, o sociólogo concluiu que a riqueza gerada na parte desenvolvida era oriunda dos recursos disponibilizados pelas nações menos prósperas. Analogamente, o mercado de trabalho preserva tal relação, tendo em vista o crescente fenômeno denominado fuga de cérebros, que consiste na importação de mão de obra qualificada pelos países de primeiro mundo. No Brasil, a saída desses profissionais deve-se à precarização do trabalho, haja vista os baixos salários, além da exaustiva carga horária atrelados à informalidade.
Ademais, vale ressaltar que o desemprego tem relação direta com o processo de desindustrialização. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação da indústria no produto interno bruto do país teve redução de 30% na última década. Destarte, os jovens deparam-se com oportunidades de trabalho cada vez mais restritas, dado que o setor industrial é responsável pela geração de empregos em grande quantidade, além de fomentar o crescimento de outros setores, de modo a promover o desenvolvimento econômico.
Portanto, as dificuldades impostas aos jovens para o ingresso no mercado de trabalho requerem medidas governamentais. Para tanto, é imperioso a elaboração de um planejamento econômico de longo prazo, coordenado pelo Governo Federal em parceria com o emepresariado brasileiro, com o intuito de expandir as áreas de atuação do setor industrial, a partir da concessão de subsídeos como contraprestação à geração de empregos com salários dignos. Além disso, é imprescindível o combate à precarização do trabalho, por meio de projeto de lei incentivado pelo Governo Federal associado ao Congresso Nacional, a fim de reduzir os encargos tributários incidentes na formalização do trabalho, em prol de viabilizar que os pequenos e médios empregadores tenham condições de arcar com os custos de contratarem pelo regime de carteira assinada.