As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 03/09/2021

O livro “O Professor”, escrito por Charlotte Bronte, narra a jornada de William, um menino britânico que, após deixar a faculdade, busca a independência financeira ao assumir o primeiro emprego como tutor em um internato. Fora da ficção, é fato que o sonho de William é compartilhado por milhares de jovens, que tentam entrar no mercado de trabalho e conquistar uma vida economicamente ativa. Entretanto, a inadequação educacional e a falta de acolhimento por parte das empresas freiam tal ímpeto, representando dificuldades árduas nesse ingresso. Destarte, é fundamental analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.

Convém ressaltar, a princípio, a necessidade de uma educação voltada à criação de profissionais capacitados, que possam ser incluídos facilmente pelo mercado e atuar de maneira eficiente. Segundo o estadunidense Benjamin Franklin, o trabalho dignifica o homem; logo, a formação acadêmica, a qual responde por grande parte da construção do caráter dos indivíduos, precisa impulsionar tal dignificação e abranger aspectos requeridos pelo mercado. Assim, o currículo educacional, deficitário em disciplinas profissionalizantes e de cunho financeiro, deve ser expandido e atender as expectativas das companhias geradoras de empregos, de maneira a contornar as dificuldades da primeira vaga .

Ademais, cabe citar ainda o problema de inclusão inerente a muitas empresas, que negam a entrada de funcionários jovens e inexperientes, impossibilitando o surgimento de novos talentos e criando obstáculos para a renovação do mercado. De acordo com dados coletados pela Pesquisa Mensal de Emprego, um jovem que ainda não teve seu primeiro emprego tem 70% menos chances de conseguir uma vaga do que um adulto com experiência. Tal circunstância agrava-se ao passo em que as empregadoras recusam em investir na contratação de aprendizes e, dessa maneira, perdem oportunidades de adquirir perspectivas joviais e inexploradas.

Portanto, a partir do entendimento da importância da adequação educacional e do acolhimento empresarial para a superação das dificuldades do primeiro ingresso no mercado, torna-se claro a necessidade de mudanças. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, por meio da expansão da grade curricular escolar, inclua matérias de capacitação profissional, a fim de preparar os jovens para as exigências das companhias. Por sua vez, o Ministério do Trabalho deve, em parceria com a iniciativa privada, por em prática um projeto de redução de tributos para empresas que se comprometerem em criar vagas de aprendizes, para que a perspectiva econômica da população mais nova seja estimulada. Assim, serão superados os obstáculos para a entrada do jovem no mundo do trabalho.