As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 11/09/2021

Na mitologia grega, o mito de Sísifo narra a odisseia de sofrimento de um homem condenado a carregar um rochedo enorme por toda a sua vida. Essa narrativa ficcional funciona como uma metáfora à dificuldade dos jovens brasileiros de ingressarem no mercado de trabalho, uma vez que a falta de cursos profissionalizantes e a intensa exigência do ramo trabalhista ampliam ainda mais a perpetuação desse impasse. Assim , analisar a problemática é transcender o exercício cidadão em prol de melhorias.

Diante desse cenário, é relevante pontuar que a inexpressiva destinação de políticas educacionais – capazes de formar jovens profissionais – dificulta o ingresso no meio laboral. Isso acontece devido à insuficiência de investimentos estatais para a criação de cursos profissionalizantes para a população juvenil. Nessa perspectiva, o programa federal “Jovem Aprendiz” , o qual incrementa educação e exercício profissional , é uma ação afirmativa essencial à aplicação do direito ao trabalho – garantido pela Constituição. Entretanto, tal iniciativa – em virtude do descaso governamental – não consegue contemplar totalmente a camada mais jovem da nação. Consequentemente, essas gerações modernas têm mais dificuldades para trabalharem – o que reforça a condição de sofrimento , assim como Sisifo.

Ademais, cabe ressaltar que o núcleo trabalhista atual – marcado pela intensa competitividade – exige profissionais cada vez mais qualificados. A respeito disso, no século XIX, o Darwinismo Social foi utilizado para segregar a sociedade , adotando-se uma classificação de seres mais aptos à sobrevivência. Sob esse viés, nota-se , na modernidade, uma espécie de “darwinismo tecnológico”, em que as pessoas mais qualificadas tecnologicamente são consideradas aptas para o trabalho nas empresas. Essa realidade é ainda mais severa para os jovens , pois esse recorte demográfico , apesar de conviver com a tecnologia, não detém de uma formação especializada para atender às demandas técnicas. Dessa forma, os colaboradores juvenis, em decorrência dessa conjuntura, são marginalizados da estrutura produtiva.

É indispensável, portanto , a adoção de ações educativas e legais, com vistas à adequação dos jovens à dinâmica socioeconômica. Para tanto, a Câmara dos Deputados deve criar um programa nacional de ensino profissionalizante, por meio de uma proposta de lei que responsabilize a União no financiamento e execução desse projeto. Essa iniciativa deve ser apoiada pelo Ministério da Educação, por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular , em que nos currículos escolares haja a disciplina de “Educação Profissional”, com o objetivo de instruir e qualificar a parcela estudantil. Com essas medidas, a juventude brasileira ter-se-á superado a condição de Sísifo.