As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 18/09/2021
O mundo contemporâneo possui marcas inegáveis da importância do trabalho aos cidadãos. Segurança financeira, inserção social e garantia de suprimento das necessidades são fatores ligados aos ofícios que, cada vez mais, exigem instrução formal para sua realização. Com isso, o debate acerca das imposições do mercado de trabalho sobre os indivíduos mais jovens é necessário, em decorrência da grande competição existente e do enorme prestígio dado pelas empresas à experiência.
A princípio, é fundamental pontuar, o desemprego que assola o Brasil. Mesmo que o aumento das filas de pessoas sem emprego e repletas de dívidas seja pauta constante dos jornais, muitas empresas ainda tratam a contratação como, o que o geógrafo Milton Santos chama de “globalização perversa” em seu texto “Por uma globalização mais humana”. Ao analisar as notícias, a rivalidade imposta por empresas contratantes entre jovens e veteranos é revelada. Dotados, muitas vezes, de ótimas formações curriculares e com inúmeros cursos de especialização, a idade se torna a principal diferença entre os desempregados. Após processos seletivos, os mais novos são desclassificados e as empresas acabam por admitir pessoas com mais história de vida, mas que possuem a mesma bagagem científica que os outros.
É preciso destacar, ainda, a diferença que anos a mais de vida possui na dinâmica da empresa. O estudioso Pierre Lévy, apoiado em sua teoria da “inteligência coletiva” prega a importância do uso e da transmissão de todos os conhecimentos pelos indivíduos de uma sociedade. Um exemplo são os meios para a contratação de um funcionário, na qual muitas empresas dispensam candidatos mais jovens de seus processos por receio de uma pouca experiência de vida, mesmo que possuam excelentes formações. Ao se depararem com suas chances de entrada no mercado de trabalho reduzidas, muitos jovens acabam perdendo a força de vontade característica dos recém formados, aceitando cargos abaixo do seu potencial para conseguirem se manter financeiramente e não retornarem à fila do desemprego.
Infere-se, então, que as dificuldades enfrentadas pelos jovens na busca por emprego constituem uma dificuldade ao desenvolvimento do país. Cabendo ao governo agir na criação de uma rede nacional de vagas e ocupações, que integre universidades, empresas e a sociedade, visando a diminuição dos preconceitos para com os candidatos mais novos, e ao Ministério da Educação se unir às instituições de ensino na organização de curso e palestras com jovens em busca de trabalho e profissionais de recurso humanos, para que os candidatos possam potencializar suas chances de admissão. Assim, os problemas que envolvem a inserção da mocidade na lógica trabalhista começarão a diminuir.