As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 22/09/2021

Segundo o filósofo francês, Pierre Levy, “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Nesse sentido, as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado do trabalho se configuram como problemática resultante, principalmente, das novas tecnologias e da incapacidade do Estado brasileiro de realocar esse grupo dentro dessa nova realidade. Ao passo que, as máquinas, a inteligência artificial e os novos aparelhos tecnológicos passam a realizar as atividades de parte expressiva do mercado e a força de trabalho humana se torna, cada vez mais, dispensável. Destarte, o mundo, atualmente, vive a chamada 4ª Revolução Industrial, que consiste em transformações no modo de produção e implica na utilização de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial e a robótica. Dessa forma, essas mudanças refletem diretamente na organização do trabalho de um país. Ou seja, esse é um momento em que toda a cadeia global de produção está passando ou passará por mudança. Portanto, é um assunto que todas as nações devem estar atentas para os resultados provenientes dessa dinâmica, principalmente, a falta de empregos entre os jovens. Além disso, o Estado, através de suas políticas públicas, se mostra aquém dessa nova realidade e, ao invés de criar mecanismos que promovam a inclusão dos jovens no mercado de trabalho, sob novas perspectivas, aprofunda ainda mais a crise da falta de empregos no Brasil. Exemplo dessa situação é a redução drástica de investimentos públicos na educação nos últimos anos. No entanto, o que deveria ser o principal norteador para o enfrentamento da crise de jovens desempregados, através da qualificação desse grupo, passa por desvalorização frente ao poder público. Em suma, a dificuldade crescente dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho nos últimos anos é resultado direto do grande avanço tecnológico promovido pela indústria 4.0 e a ineficiência do Estado ao lidar com a questão. Por isso, é urgente que o Congresso Nacional estabeleça maior orçamento para o setor da educação, de modo a permitir ações mais eficientes por parte do Ministério da Educação. De forma que, sejam promovidos programas para a qualificação profissional de jovens, de acordo com a nova realidade imposta pela tecnologia. Por fim, a educação deve sempre ser considerada investimento e não somente gasto, pois é através dela que o indivíduo pode se adequar às exigências do mundo atual e garantir sua autonomia na sociedade.