As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 23/09/2021

De acordo com a declaração dos direitos humanos da ONU de 1948, todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego e a proteção ao desemprego. No entanto, tais direitos não se veem na realidade do jovem brasileiro, posto que encontra dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, ora pela falta de formação e alta exigência do mercado, ora pela falta de incentivo a adoção de medidas que coloquem esses jovens no posto de trabalhador. Nesse sentido, a realidade dessas pessoas é agravada tanto pela negligência governamental como também pela iniciativa privada.

Vale ressaltar, a princípio, que a negligência governamental corrobora para a intensificação do desemprego entre os jovens brasileiros. Isso porque não é colocado em prática o Art. 205 da Carta Magna de 1988 que prevê como dever do Estado garantir por meio da educação o pleno desenvolvimento da pessoa e sua qualificação para o trabalho. Dessa maneira, os jovens se deparam com imensas dificuldades para se inserirem no âmbito laboral, pois não tendo uma formação que coloque estes em contato direto com a experiência ao longo de seu desenvolvimento não se moldam às exigências dos cargos. Assim, é perceptível que a preferência por pessoas que têm experiência prévia retira do aprendiz a oportunidade de conseguir um emprego.

Ademais, vale mencionar o pensamento de Nelson Rodrigues, importante escritor brasileiro, “o jovem tem todos os defeitos de um adulto e mais um: a inexperiência”. Com base nessa perspectiva, ainda que existem programas com a finalidade de dar a primeira experiência de serviço e garantir o desemprego entre a classe juvenil, como é o caso do projeto jovem aprendiz, as companhias não aderem a essas iniciativas, pois tem-se a ideia de maiores gastos, visto que teriam de investir em alguém inexperiente. E exemplo disso é a não eficácia da Lei da Aprendizagem a qual exige que 5% do quadro de funcionários dentro de uma empresa seja de aprendizes, enquanto a media nacional é de 2% - segundo dados da CIEE. Logo, é notório a falta de adeptos a projetos que coloquem o jovem no mercado laboral.

Infere-se, portanto, que as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho é um problema que precisa ser erradicado. Logo, o Poder Legislativo deve, com apoio do Ministério do Trabalho, criar programas que visem incentivar a contratação de jovens, por meio da ampliação de programas de inclusão e incentivos às empresas que aderirem a estes, como isenção parcial de impostos, a fim de inserir o jovem no ambiente de trabalho. Outrossim, o Ministério da Educação deve criar cursos de capacitação, por meio de alterações na Base Nacional Curricular Comum, a fim de desenvolver – por meio da experiência – nos jovens sua capacidade profissional.