As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 24/09/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso ao emprego é um direito de todo brasileiro, sendo fundamental para a garantia da qualidade de vida dos cidadãos. Apesar disso, muitos jovens, hodiernamente, têm dificuldades para conseguir entrar no mercado de trabalho e, por isso, encontram-se desempregados. Tal situação se relaciona, majoritariamente, às exigências impostas pelos contratantes e resulta na manutenção das disparidades socioeconomicas no Brasil.

Diante do exposto, é necessário ressaltar que o capitalismo predatório atual é o modelo que rege a economia brasileira. Uma das principais características desse sistema é a busca incessante pelos mais altos lucros, mesmo que para isso haja consequências deletérias para a população. Dessa maneira, a fim de atingir tal objetivo, são priorizados, no mercado de trabalho atual, elevados índices de produtividade, de desempenho e de experiência. Nesse sentido, infere-se que os cidadãos entre 15 e 24 anos enfrentam desafios no que concerne à conquista dos primeiros empregos, visto que, muito embora grande parte deles tenham capacitação educacional, esse grupo não consegue cumprir com as imposições das empresas, relacionadas às horas trabalhadas, à prática e à vivência trabalhista. Em vista disso, é possível observar um desrespeito à Carta Magna nacional, já que uma grande parte da população fica impossibilitada de exercer um dos seus principais direitos.

É fundamental destacar, ainda, que a referida óbice acarreta em impactos adversos no âmbito socioeconômico brasileiro, uma vez que propicia a manutenção do chamado ciclo da pobreza, impedindo que os indivíduos com menores condições monetárias ascendam financeiramente. A referida conjuntura ocorre pois, comumente, os jovens, provenientes de uma realidade de vulnerabilidade social, ao não terem possibilidades de contratação, recorrem aos subempregos como uma maneira de sobrevivência, estando sujeitos ao baixo salário e às condições precárias e vexatórias de trabalho, as quais prejudicam sua qualidade de vida. Em vista disso, pode-se relacionar tal conjuntura à teoria da Violência Simbólica proposta pelo sociólogo Pierre Bourdieu, já que, mesmo que não haja coação física, esse grupo é vítima de violência social, em função da privação de seus direitos básicos e, por conseguinte, permanecem subjugados à parcela dominante da sociedade.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de o Ministério da Educação promover a capacitação dos jovens para o mercado de trabalho. Tal medida dar-se-á por meio da edição de uma lei que inclua um estágio remunerado obrigatório de, no mínimo, 6 meses na grade curricular do Ensino Médio. Essa proposta terá a finalidade de minimizar as desigualdades socioeconômicas, de modo a encerrar o ciclo da pobreza, já que irá garantir a esse grupo a experiência necessária para sua contratação efetiva.