As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 26/09/2021

De acordo com a declaração dos direitos humanos da ONU de 1948, todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego e a proteção ao desemprego. No entanto, tais direitos não se veem na realidade do jovem brasileiro, posto que encontra dificuldade de ingressar no mercado de trabalho, ora pela falta de formação e alta exigência do mercado, ora pela falta de incentivo a adoção de medidas que coloquem esses jovens no posto de trabalhador. Nesse sentido, a realidade dessas pessoas é agravada tanto pela negligência governamental como também pela iniciativa privada.

Vale ressaltar, a princípio, que a negligência governamental corrobora para a intensificação do desemprego entre os jovens brasileiros. Isso porque não é colocado em prática o Art. 205 da Carta Magna de 1988 que prevê como dever do Estado garantir por meio da educação o pleno desenvolvimento da pessoa e sua qualificação para o trabalho. Dessa maneira, não tendo uma formação que coloque estes jovens em contato direto com a experiência ao longo de seu desenvolvimento, eles não se moldam às exigências dos cargos, posto que somente 64% dos jovens que nunca trabalharam têm chances de conseguir um emprego – dados da IPEA. Assim, é perceptível que a preferência por pessoas que têm experiência prévia retira do aprendiz a oportunidade de conseguir um trabalho.

Ademais, vale mencionar o pensamento de Ruy Braga, importante sociólogo brasileiro, a qual diz que ao invés de reformas a população deveria receber mais proteção social para enfrentar a instabilidade de empregos. É notório, portanto, que programas que têm a finalidade de dar estabilidade empregatícia a classe juvenil, como é o caso do jovem aprendiz, são ineficazes em dar conforto a estes, em razão da não adesão por parte das empresas. E isso é evidente pela não eficácia da Lei da Aprendizagem a qual exige que 5% do quadro de funcionários dentro de uma empresa seja de aprendizes, enquanto a média nacional é de somente 2% - segundo dados da CIEE. Logo, é inegável a falta de adeptos a projetos que coloquem o jovem no mercado de trabalho.

Infere-se, portanto, que as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho é um problema que precisa ser erradicado. Logo, o Poder Legislativo deve, com apoio do Ministério do Trabalho, criar programas que visem incentivar a contratação de jovens, por meio da ampliação de programas de inclusão e incentivos às empresas que aderirem a estes, como isenção parcial de impostos, a fim de inserir o jovem no ambiente de trabalho. Outrossim, o Ministério da Educação deve criar cursos de capacitação, por meio de alterações na Base Nacional Curricular Comum, a fim de desenvolver – por meio da experiência – nos jovens sua capacidade profissional.