As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 14/10/2021
Na década de 1930, a dificuldade dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho foi retratada no livro clássico “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, que conta a história de um grupo de meninos de rua, que precisam furtar para sobreviver. Na contemporaneidade, o artigo 6° da Constituição federal garante o direito ao trabalho para todos os brasileiros. Entretanto, assim como na literatura, observa-se o desrespeito a essa garantia para a juventude, devido à realidade social do país e à negligência estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que, entre os obstáculos para o ingresso dos jovens no mercado de trabalho, está a precária condição social da maioria deles. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 50% dos brasileiros vivem com até 465 reais por mês. Nesse cenário, grande parte da juventude não possui apoio financeiro da família para investir na capacitação profissional. Contudo, além de exigir experiência, a maioria dos contratantes requerem cursos de idioma ou formação na área do cargo. Assim, a realidade dos jovens se opõe aos interesses do mercado de trabalho.
Ademais, vale salientar que a incompatibilidade dos critérios de admissão das empresas com a situação social dos mais novos advém do descaso estatal. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre os Espaços Públicos, as instituições sociais devem garantir a inclusão de todo o corpo social. Nesse viés, para inserir de forma igualitária os brasileiros na sociedade — incluindo no mercado de trabalho — o Estado precisa oferecer capacitação profissional de qualidade. Apesar disso, o investimento na educação pública sobre cortes anuais, segundo o Tribunal de Contas da União. Desse modo, por dificultar a capacitação dos jovens, o governo vai de encontro com a Magna Carta.
Dessarte, para tornar a juventude brasileira apta para o mercado de trabalho e mitigar o desemprego desses indivíduos, urge que o Ministério da Economia, por meio de uma proposta de lei, crie o projeto “Jovens Para o Futuro”. Em síntese, o governo deve inaugurar novas instituições de ensino com cursos técnicos e de idiomas. Adicionalmente, o projeto deve propor a oferta de subsídios para as empresas que contratarem jovens inexperientes. Feito isso, a crítica de Jorge Amado, em “Capitães da Areaia”, acerca do desemprego entre os jovens se distanciaria da atualidade.