As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 25/10/2021

A Carta Magna brasileira, também chamada de Constituição Cidadã, promulgada em 1988, prevê, em seu artigo 6°, a assistência social e o trabalho perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se refletido com ênfase na prática quando se observa as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, a ausência de medidas governamentais e a má influência midiática são as causas principais que têm auxiliado na manutenção da problemática supracitada.

Nesse cenário, deve-se ressaltar a escassez de medidas governamentais para o combate à falta de oferta de empregos para a juventude. Nesse sentido, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo, de modo que justifica uma das causas do problema, pois os jovens trabalhadores que não foram devidamente qualificados no sistema de educação são deixados de lado e não conseguem se fixar no mercado de trabalho, gerando número alarmantes de desemprego, visto que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 25% dos desempregados entre 18 e 24 anos conseguiram uma nova chance no mercado laboral.

Concomitante a isso, a mídia —meios de comunicação em massa— atua como direcionador de pensamento de grande parte da população. Acerca disso, segundo o pensador frânces contemporâneo Pierre Bordieu: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta, não pode ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Então, observa-se que o papel exercido pela mídia, ao colaborar com a esscassez de informações no que tange à vagas de emprego disponíveis, reflete essa disfunção. Logo, nota-se a persistência da alta de desemprego entre jovens adultos, caracterizando a maior taxa em 27 anos, de acordo com o estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho.

Depreende-se, portanto, que a universalização do direito ao ingresso dos mais jovens no mercado laboral é de suma importância. Em vista disso, é papel do Ministério do Trabalho, por meio da liberação de verbas destinadas às ações sociais e com o apoio de instituições de ensino, desenvolver atuações que revertam a má influência midiática, como a adição de matérias que auxiliem na capacitação e compreensão sobre como o mercado de trabalho funciona, além da criação de fóruns de ofertas de vagas de emprego que funcionem como uma ponte com a finalidade de ajudar tanto as empresas quanto a juventude brasileira. Talvez, assim, os mecanismos utilizados para opressão simbólica sejam convertidos em instrumentos democráticos como proposto por Pierre Bordieu.