As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 27/10/2021

“Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Mediante o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, compreende-se que, com meios eficazes, a sociedade brasileira pode superar as dificuldades de ingresso dos jovens no mercado de trabalho, que são responsáveis por configurar um cenário preocupante. É preciso analisar, pois, a lacuna educacional, no que tange ao desenvolvimento cognitivo dos jovens, e a falta de medidas governamentais, como elementos propulsores do imbróglio.

Diante desse cenário, os espaços estudantis, no Brasil, possuem um método de ensino ultrapassado. Sobre isso, faz-se oportuno mencionar a tese defendida pelo célebre educador Paulo Freire, que pontua a importância de um método pedagógico que prepare o cidadão para a vida. Sob tal óptica, nota-se que a ideia do pensador não é colocada em prática no sistema de ensino brasileiro, uma vez que, por possuir um método ultrapassado, restrito às disciplinas de cunho comum, a escola secundariza a aptidão dos indivíduos para competirem no mercado de trabalho. Por conseguinte, devido à exígua abordagem escolar, considerável parcela dos jovens que buscam a oportunidade do primeiro emprego acabam por não suprirem as condições impostas pelas empresas.

Sob um segundo olhar, é importante pontuar a omissão do governo como fomentadora da adversidade. Sob essa lógica, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, dado que as autoridades não medem esforços para criar ações que resolveriam alguns dos desafios que dificultam os jovens a ingressarem no mercado de trabalho, como ampliação do ensino técnico e os programas de estágios em parceria com as empresas. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize a manifestação da problemática.

Em suma, atenuar os desafios relacionados à dificuldade dos jovens na busca pelo primeiro emprego é fundamental. Logo, o Ministério da Educação — órgão responsável por reger os métodos disciplinares das escolas —, por meio da ampliação dos programas de ensino técnico, deve promover a aptidão dos jovens em áreas de interesse dos mesmos, com o intuito de formar cidadãos preparados para competir igualitariamente no mercado de trabalho. Além disso, o mesmo órgão governamental, em parceira com as empresas, mediante ampliação de programas de aprendizagem, precisa impulsionar a abrangência de mais alunos na participação de estágios remunerados, para poderem conciliar estudos e trabalho e, ainda, adquirirem experiência laboral para o futuro. Espera-se, com essas medidas, aproximar-se do pensamento de Bauman.