As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 02/11/2021

A série de ficção “Maid” retrata uma jovem que, ao sair de casa por abusos emocionais, busca uma forma de sustento. Como não possuía uma qualificação aos 25 anos de idade, consegue um trabalho informal. Esse contexto cinematográfico condiz com inúmeras realidades no mundo, especialmente com a da brasileira. Hoje, no Brasil, existem milhares de jovens que vivem em situação de desemprego e subemprego. Nesse contexto, surge o desafiio de jovens ingressarem no mercado de trabalho, seja pela baixa qualificação, seja pela fragilidade psicológica que muitos deles vivem hoje em dia.

Em primeiro lugar, em um mundo pós-revolução técnico científica, em que há o alto predomínio do uso de ciências de informações, os jovens, pela falta de formação adequada, não conseguem empregos. Como retrata Adorno, sociólogo da escola de Frankfurt, a Indústria Cultural, ao propiciar a manipulação da cultura para o consumismo, influencia no que o mercado prioriza para contratações. Diante disso, em um mundo globalizado, a atuação de pessoas que têm uma formação mais completa faz-se necessário. Cita-se, por exemplo, o estudo feito pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), o qual revela que o emprego entre os jovens semiqualificados reduziu em grande parte dos países do mundo. Assim, a falta de qualificação ao buscar um emprego deixa ainda mais evidente a dinâmica do meio capitalista e consumista: a desigualdade.

Em segunda análise, as dificuldades de ingresso dos jovens no mercado de trabalho passam pela fraqueza psicológica que muitos deles possui. Segundo Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade de San Diego, Estados Unidos, o grande uso de tecnologia pelos jovens nascidos pós- 1995 molda uma geração mais imatura, reclusa e com uma maior tendência a apresentar problemas de saúde mental. Diante desse fato, um planeta globalizado, que prioriza o lucro a todo instante, deseja pessoas psicologicamente fortes e que estejam dispostas a sempre ajudar o capital a obter um maior crescimento. Nesse meio, assim, em um mundo extremamente competitivo, a vulnerabilidade da saúde mental acarreta em desempregos e uma maior busca por outras soluções, como no trabalho informal.

Dessa forma, os problemas dos jovens para o ingresso no mercado de trabalho passam tanto por pela baixa qualificação quanto por suas fraquezas psicológicas. Nesse contexto, o Estado brasileiro, por meio do Legislativo, deve criar leis que obriguem cada governo a investir uma quantia maior do PIB (Produto Interno Bruto) na educação, seja na universitária, seja na fundamental, como fez o governo do PT (Partido dos Trabalhadores) entre os anos que esteve no poder. Com esse investimento, a conscientização dos malefícios do uso intensivo de tecnologia estará incluso pela dinâmica do conhecimento. Com isso, os jovens estarão mais qualificados, culminando num país mais justo e igual.