As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 08/11/2021

As dificuldades dos jovens de entrarem no mercado de trabalho crescem à medida que a crise brasileira, de início na década de 2010, persiste e leva, todos os anos, mais famílias de volta à pobreza. Isso ocorre devido à, cada vez maior, necessidade do adolescente começar a receber renda precocemente, a fim de auxiliar no sustento da casa. Em consequência disso, há o abandono ou o desinteresse pelos estudos, o que acaba diminuindo as chances de obter um cargo mais valorizado e uma carreira mais longa, optando por um trabalho informal ou terceirizado, devido a falta de opções.

Primeiramente, é possível enxergar um declínio constante do interesse dos jovens na continuação dos estudos em direção ao ensino superior, devido às condições cada vez menores dos pais ou tutores de sustentar sozinhos os filhos enquanto apenas estudantes, gerando a necessidade de muitos adolescentes obterem renda mais cedo. Esse ponto pode ser embasado pelos dados do governo sobre o número de inscritos em cada edição do ENEM desde 2010, demonstrando um aumento até 2016, em que há 9 milhões de inscrições, caindo para menos de 4 milhões em 2021. Além disso, pesquisas mais específicas feitas pelo jornal O Globo confirmam a relação entre sustento familiar e abandono escolar, revelando um aumento da evasão por esse motivo em 37% nos últimos 6 anos.

Nesse seguimento, a não continuidade dos estudos gera uma dificuldade a longo prazo de formar um bom plano de carreira e ser admitido em um cargo de alto valor, por isso, a maioria desses jovens acabam aceitando trabalhar informalmente, por meio de aplicativos como Uber e Ifood, além de trabalhos terceirizados. Há, nesse tipo de profissão, pouco acesso a direitos trabalhistas. Por exemplo, segundo os direitos de uso da startup Cabify, os motoristas da plataforma não possuem seguro caso sejam assaltados, ou licenças, como a maternidade, por acidente etc. Dessa forma, está surgindo uma geração no Brasil que corre sérios riscos de ficar à margem desses empregos, devido a falta de condições propícias para se especializar e adentrar numa carreira digna.

Portanto, visto que a necessidade crescente de um complemento de renda está sendo o principal motivo da desistência da vida acadêmica, urge que o Ministério da Educação reinicie e amplie o programa Bolsa Escola, a fim de ajudar na renda da casa dos estudantes para que esses não precisem buscar emprego. Assim, por meio de auxílios estudantis oferecidos para alunos do ensino médio e superior, de acordo com suas necessidades, é possível reduzir a carência familiar e possibilitar a maior permanência do jovem no ensino básico ou no curso. O impacto dessa medida seria visto no maior interesse dos adolescêntes em seguir para uma graduação, garantindo uma entrada mais segura no mercado de trabalho assim que se formar, com cargos melhores e certeza de seus direitos.