As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 08/11/2021

Historicamente, a cada salto tecnológico dado em virtude de novos processos industriais, modificam-se também as relações trabalhistas. Nesse contexto, a humanidade passou pela burocracia, pelo gerencialismo e atualmente ingressa na Indústria 4.0. Esse novo modelo surge com suas dificuldades e oportunidades para que pessoas inexperientes inovem no mercado de trabalho. Assim, percebe-se a configuração de problemas de contornos específicos em virtude da inércia da educação brasileira e da falta de adaptação legal às novas necessidades globais.

Nessa perspectiva, o historiador israelense Yuval Harari explica que a “nova industrialização” exige mais criatividade do que conhecimento. Tal percepção atrelada à realidade brasileira expõe as fraquezas educacionais do país. Isso porque o modelo de educação do Brasil encontra-se atrasado em relação às demandas da sociedade contemporânea. Enquanto o futuro pede inovação e diversidade, a matriz curricular brasileira continua alicerçada numa perspectiva mecânica e burocrática. Esse é um dos fatores que explicam a dificuldade do jovem atual conseguir ingressar na economia formalizada. Assim sendo, nota-se que a Indústria 4.0 demanda jovens inovadores e criativos, porém o sistema de ensino brasileiro tende a formar jovens com mentalidade burocrática e fechada.

Outrossim, é relevante evidenciar que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no Brasil, respondeu muito bem às demandas sociais do século XX. Contudo, a falta de atualização das leis trabalhistas causa prejuízo aos jovens que buscam oportunidades de trabalho nos mais variados ramos econômicos. Isso se dá porque as organizações modernas atuam dinamicamente, de forma a mudarem de modo constante seus propósitos e seus valores. Tal característica vai de encontro a muitos princípios da carta trabalhista, o que inviabiliza a entrada de novos atores na economia.

Portanto, é imperioso que o Governo Federal encaminhe ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) a fim de atualizar tanto a CLT, quanto matriz curricular de escolas e universidades. No que tange as leis trabalhistas, este PL deve garantir os direitos dos empregados, mas também dar liberdade ao empreendedor que queira inovar na Indústria 4.0. Mais precisamente, essa atualização deve garantir mobilidade tanto ao empregador quanto ao empregado, para dar formalidade a contratos de trabalho. Já no contexto educacional, a nova matriz curricular deve conter elementos como programação e algoritmos. Essas atualizações visam inserir o Brasil, definitivamente, no século XXI e oportunizar o ingresso de jovens na economia formal.