As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 17/11/2021
Em “Princípios da Administração Científica”, o engenheiro Frederick Taylor afirma que um bom sistema gerencial deve frisar por “homens de primeira classe”, que serão responsáveis por maximizar a geração de lucro. Dessa maneira, uma formação educacional voltada para a esfera privada é de seu meritório interesse. Os jovens, todavia, encontram diversas intempéries no ingresso no mercado de trabalho, originadas do escasso incentivo ao empreendedorismo e da falta de habilidades socioemocionais em meio a uma era de autoconstrução da identidade.
Diante desse cenário, cabe mencionar a ética objetivista da filósofa Ayn Rand, cujo principal aspecto se baseia na capacidade do homem de tornar-se um ser heroico por meio de sua produção. Assim, o empreendedorismo é retratado como um pilar fundamental para a evolução da sociedade. Entretanto, o Brasil carece de políticas educacionais voltadas para a capacitação empresarial, que, por sua vez, trata-se de um relevante mecanismo gerador de empregos. Desse modo, o ingresso dos jovens no mercado de trabalho fica totalmente dependente das ofertas de emprego existentes.
Ademais, é possível evidenciar, nos jovens, a falta de habilidades socioemocionais demandadas pelas empresas, como comunicação e liderança. Tais competências envolvem empatia, sentimento colocado em segundo plano no contexto atual, uma vez que, de acordo com o conceito de “Subjetivação”, do sociólogo Alain Touraine, o processo de autoconstrução da identidade vem se tornando cada vez mais presente na sociedade. Nesse sentido, há uma predominância do indivíduo sobre o coletivo, e as relações interpessoais, essenciais no mundo empresarial, passam a ser objeto de menor domínio entre os jovens.
Portanto, é impreterível que o Governo Federal, por intermédio dos Ministérios da Educação e Economia, atue na tentativa de diminuir os entraves encontrados pela juventude no ingresso no mercado de trabalho. Mediante parcerias com empresas privadas, deve-se mapear as qualificações deficitárias e implementar programas de treinamento conjuntos - que podem ser patrocinados a partir de subsídios fiscais e que visem tanto a profissionalização quanto a capacitação empreendedora. Com isso, será possível garantir sinergia entre a esfera pública e o mercado, formando os “homens de primeira classe” referenciados pelo Taylorismo.