As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 21/03/2022
“O importante não é viver, mas viver bem”. De acordo com o filósofo Platão, a condição de vida tem grande relevância transcendendo a da própria vivência. Todavia, no Brasil, essa não é uma realidade dos jovens que almejam entrar no mercado de trabalho. Dessarte, ao invés de empenhar-se para aproximar a realidade caracterizada por Platão da realidade concreta, a negligência estatal aliada a uma desigualdade social, contribuem com a manutenção desse imbróglio.
A princípio, de acordo com o filósofo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de generalidade, exterioridade e coercitividade. Nesse âmbito, a falta de qualificação é a consequência de uma atitude reprovável do Estado para com o fato social, haja vista que o Poder Público não impede, de modo eficiente, as condutas indevidas de corte de verbas destinadas ao ensino superior público, corroborando para a persistência da inadequação dos candidatos perante as exigências das empresas.
Outrossim, é perceptível que o preconceito com quem tem um menor poder aquisitivo existe desde outras épocas. Sendo assim, pode-se constatar que tal intolerância foi - e ainda o é - repassado de uma geração a outra, o que mostra a banalização do acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho. Por conseguinte, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, argumenta que a atitude xenófoba ou preconceituosa passa a ser feita inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser equiparado com a questão da segregação dessa parcela da população.
Diante dos argumentos supracitados, são necessárias medidas para amenizar essa problemática. Para isso, o Poder Legislativo deve criar políticas públicas específicas para combater o corte de verbas destinadas ao ensino superior público, com o intuito de garantir uma qualificação adequada aos jovens. Além disso, o Ministério da Educação, órgão responsável pelas diretrizes educacionais brasileiras, deve promover, dentro das redes públicas e particulares de ensino, por meio de verbas da União, palestras sobre a importância do respeito às diferenças sociais, para que, assim, as dificuldades enfrentadas por esses jovens sejam escassas.