As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/07/2022
De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, a dificuldade dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho mostra que não há democratização do direito à educação no Brasil, e isso faz com que parte da população seja privada da liberdade integral.
A princípio, é imperioso notar que a inadequação entre a formação acadêmica e o que o mercado exige faz com que os jovens entre 18 e 24 anos tenham o maior índice de desemprego - é o que afirma Jacques Meir, financiador de diversos estudos sobre o tema. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que os indivíduos de baixa renda são os mais afetados pois, por sofrerem mais com a evasão escolar, raramente possuem níveis superiores de graduação, o que dificulta a entrada no mercado de trabalho.
Como consequência, os jovens desempregados não são, de fato, livres, pois a liberdade só é efetiva quando há independência financeira. Sob essa ótica, é possível fazer uma analogia com certo pensamento de Diderot e D’alembert (autores da “enciclopédia”) que diz que a democratização da educação é o que garante aos cidadãos sua efetiva liberdade. Sendo assim, medidas devem ser tomadas para que a desigualdade educacional não perdure.
Em suma, as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho advém, principalmente da falta de formação acadêmica desse grupo e faz com que essas pessoas não usufruam integralmente da sua liberdade. Dessarte, a fim de facilitar a entrada dos jovens no mercado de trabalho, o Ministério da Educação deve - por meio de mini cursos gratuitos nas instituições de ensino - promover a capacitação de qualidade dos jovens entre 18 e 24 anos. Espera-se assim, que seja garantida a indepêndencia financeira de todos os cidadãos e, por conseguinte, sua efetiva liberdade.