As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 27/09/2022

Segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão possui direito ao traba-lho dígno. No entanto, tal ensejo constitucional não se faz presente no que tange ao ingresso dos jovens no mercado laboral, os quais têm apresentado dificuldades para conseguirem o primeiro emprego, como a falta de experiência e de qualifica-ção profissional. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem co-mo causas a ineficiência estatal e a desigualdade social.

Sob esse viés, em primeiro plano, a insuficiência governamental impacta na questão. De acordo com essa perspectiva, a antropóloga Lilia Schwarcz defende que o Brasil possui prática na política de eufemismos, ou seja, determinados pro-blemas tendem a ser minimizados. Com efeito, tal minimização é vista no panora-ma dos desafios enfrentados pela juventude no mercado de trabalho, uma vez que há uma ínfima quantidade de programas sociais desenvolvidos pelo Estado que promovam a qualificação profissional dos jovens. Desse modo, sem políticas públi-cas, infelizmente, o desemprego entre essa faixa etária cresce de forma alarmante. Destarte, é urgente que o governo adote uma postura mais atuante.

Além disso, é coerente apontar a disparidade socioeconômica como um fator agravante do problema. Seguindo essa lógica, o historiador José Murilo de Carvalho afirma que a desigualdade social impede a construção de uma sociedade mais jus-ta e equitativa. De fato, tal relação é notória na problemática da procura de empre-gos pelo grupo supracitado, visto que, apesar de o período atual exigir mão de o-bra qualificada, muitos jovens periféricos não possuem formação técnica ou com-preensão das novas tecnologias. Dessa forma, preocupantemente, a desigualdade social se torna uma dificuldade. Assim, urge democratizar o acesso ao trabalho.

Portanto, é preciso intervir nesse cenário. Para tal, o Ministério do Trabalho de-ve ofertar cursos de capacitação que integrem eficientemente toda a população de 18 a 24 anos que se encontra em situação de desemprego e de vulnerabilidade. Es-sa inciativa ocorrerá por meio de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias que destine verbas para o projeto, a fim de mitigar a falta de atuação do Estado. Ademais, tal ação poderá contar com divulgação nas redes sociais para alcançar mais pessoas. Dessa maneira, far-se-á valer a Carta Magna.